Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 30/07/2019
“Eu vejo um novo começo de era, de gente fina, elegante e sincera”, os versos da composição “Tempos modernos”, do cantor brasileiro Lulu Santos, sugerem os avanços alcançados pela contemporaneidade. Tais progressos, todavia, são acompanhados por mudanças no campo social, como, por exemplo, a queda na taxa de fecundidade e o aumento da expectativa de vida, que afetam a dinâmica mercadológica brasileira e salientam as deficiências da saúde pública no país. Dessa maneira, deve haver um redirecionamento das políticas nacionais propostas pelo poder público.
Em primeira instância, o Artigo 15 do Estatuto do Idoso, previsto na Constituição Federal, assegura atenção integral ao bem-estar físico de indivíduos com idade igual ou superior aos 60 anos. O sistema de saúde pública brasileiro, no entanto, não tem acompanhado as mudanças socioestruturais intensificadas pelo amadurecimento da população. Já que, com o passar dos anos, há o aumento do risco de desenvolver doenças crônicas e deficiências como mal de Parkinson, osteoporose e hipertensão arterial sistêmica, por exemplo, a parcela social mais longeva exige assistência mais especializada dos órgãos de saúde.
Outrossim, com a expectativa de vida margeando os 75,5 anos, segundo pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), estima-se que, em 2050, a parcela de idosos compondo a população brasileira atinja os 64 milhões, superando o número de crianças. Esse novo panorama, atrelado à dinâmica capitalista atual, que preza pelo pleno emprego e estimula a busca por estabilidade financeira, altera, significativamente, a composição etária do mercado de trabalho nacional. Mas, apesar disso, empresas e demais centros comerciais tardam em direcionar investimentos que promovam a construção de um ambiente laboral mais saudável, capaz de conciliar longevidade e produção.
É evidente, portanto, a necessidade de propor medidas que atenuem os impactos oriundos do envelhecimento da população brasileira. O Ministério da Saúde, a partir de investimentos federais destinados a postos e hospitais públicos, deve asseverar a promoção de programas de saúde direcionados à terceira idade, como o projeto “Idoso Bem Cuidado”, que objetivem garantir o tratamento a doenças crônicas e a melhoria do atendimento aos idosos. Ademais, o Ministério Público do Trabalho, em parceria com a comunidade civil, deve assegurar, por meio de fiscalização e denúncias, o cumprimento da legislação trabalhista por parte das empresas, estimulando a interação entre produção e respeito aos funcionários.