Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 04/08/2019
No filme “Up: Altas Aventuras”, é retratada a história de um personagem idoso, com indícios de depressão e tentando se isolar do mundo, até que um garoto insiste em se manter ao seu lado, e como forma de apoio, sua vida volta a ter sentido. Hoje, essa ficção, no aspecto do estado de saúde na velhice, é a realidade de grande parte da população brasileira, pois há dificuldades no acolhimento a essa fase da vida. Nessa perspectiva, impactos por falta de políticas públicas e de entretenimento quanto à saúde mental precisam ser atenuados para haver uma dignidade mais efetiva.
Em primeiro plano, nota-se que, mesmo com a inserção da “Saúde do Idoso” no Sistema Único de Saúde(SUS), é perceptível a negligência nos atendimentos e recursos que acabam por deixar a prioridade em vulnerabilidade. Um processo que se torna cada vez mais comum, seja no espaço público ou privado, mas principalmente em áreas de baixa renda, retratando a inexperiência de profissionais e a falta de investimentos estruturais para a população que envelheci. Sob esse viés, os indivíduos idosos que representam, segundo o IBGE, 10% da população brasileira, consequentemente, perderão o valor da sua grande expectativa de vida, pela existência da “banalidade do mal”, imposta na sociedade e conceituada pela pensadora Hannah Arendt.
Concomitantemente a essa dimensão de displicência estatal, quando o pensador Freud salienta que “a psicanálise é, em essência, uma cura pelo amor”, evidencia-se a importância dos cuidados à saúde mental do idoso. Contrariamente a essa lógica, a realidade do modelo de apoio solidário e técnicos em entretenimentos, não acompanha, frequentemente, com o número de espaços de ocupação, lazer e interação que eles precisam ter. Prova disso, segundo o IBGE, a faixa etária dos 60 a 64 anos lidera o ranking dos indivíduos diagnosticados com depressão. Logo, é essencial que a qualidade de vida e a manutenção da saúde sejam postas em prioridades.
Deve-se constatar, portanto, que esses obstáculos no processo de envelhecimento precisam ser minimizados com ações mais efetivas. Para isso, faz-se necessário um intercâmbio técnico e logístico entre o Ministério das Cidades e o de Saúde, visando a ampliação de políticas públicas voltadas para a saúde da terceira idade, por meio de aberturas de clínicas geriátricas e distribuição de remédios, aliados a uma capacitação e treinamento profissional, específicos a essa faixa etária, que possibilitará uma interação médico-paciente mais humanizada, a fim de torná-los dignos e respeitados. Ademais, a mídia, junto às empresas privadas devem apoiar e inserir projetos sociais, com investimentos em campanhas, espaços de lazer, que desmistifiquem esteriótipos da idade da solidão, tristeza, para compaixão,alegria e amor. Assim, o sentido da vida encontrado no filme, irá se tornar real para muitos.