Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 03/08/2019
Os avanços da medicina, a maior adesão à atividade física e a preocupação com hábitos saudáveis propiciou o aumento da expectativa de vida. Esse contexto, relacionado com o fato da população idosa no Brasil ser elevada e com tendência a crescer, de acordo com dados do IBGE, evidencia a demanda por serviços específicos, atendimento básico ao idoso e uma cultura inclusiva que reconheça-os como parte fundamental da sociedade.
Inicialmente, o Estatuto do Idoso representou uma relevante conquista de direitos, entretanto eles não são totalmente efetivados, cujo reflexo mostra a dificuldade do idoso em se integrar na sociedade, desde o acesso a serviços básicos e arquitetura excludente das construções públicas, até a dificuldade de ingresso e permanência no mercado de trabalho. Tal contexto se distancia do conceito da “Teoria do Espaço Público” de Hannah Arendt, o qual afirma que os ambientes e as instituições públicas devem incluir todo o espectro social, para que, apenas desta maneira, possam exercer sua total genuinidade. Essa definição da socióloga alemã corrobora com a necessidade da atuação do Estado conseguir acompanhar o envelhecimento populacional.
Além disso, um empecilho presente nos dias atuais, é a mentalidade retrógrada de uma parcela da população, a qual associa muito do que é velho como sinônimo de ruim. Exemplo disso é o fato de muitos jovens utilizarem a palavra velho como ofensa ou para depreciar algo. Ademais, o contexto dos avanço tecnológico, pouco acompanhado pelos idosos, aliados com a baixa oferta de pessoas para inseri-los nesse “mundo novo”, condiciona-os a permanecerem cada vez mais excluídos e com dificuldade de se relacionarem com pessoas de outras faixa etárias. Isso evidencia o caráter individualista contemporâneo, o qual reforça o conceito de “Modernidade Líquida” do filósofo Zygmunt Bauman, em que, segundo ele, “as relações escorrem pelos vãos dos dedos”.
Portanto, com o objetivo do Estado e da sociedade acompanharem o envelhecimento populacional, o Governo Federal, Estadual e Municipal, devem agir concomitantemente para possibilitar a acessibilidade dos idosos em todos os ambientes públicos - como a instalação de rampas de acesso, faixas de pedestres elevadas e elevadores - por meio do redirecionamento das verbas da União, e assim minimizar os obstáculos estruturais. Além disso, o Ministério da Educação deve gerar um material educacional, a ser difundido pelas redes sociais e emissoras de TV, com a finalidade de aprofundar o conhecimento da sociedade sobre o tema. Com isso, gerar tanto maior engajamento social com as pessoas da terceira idade, quanto possibilitar que eles desfrutem, com qualidade o aumento da expectativa de vida.