Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 03/08/2019
Cecília Meirelles, escritora do modernismo brasileiro, em seu poema “O Retrato”, expressa a angústia do “eu” lírico frente à transitoriedade da vida e aos impasses de sua condição. Essa situação, entretanto, não parece limitar-se ao viés literário, uma vez que, na contemporaneidade brasileira, o gradual envelhecimento populacional ocasiona desafios como o suporte financeiro e a qualidade de vida dos idosos.
Em uma primeira análise, o sistema previdenciário brasileiro prevê a necessidade de uma eficaz economia do país para que haja garantia financeira ao idoso. No entanto, apesar da Janela Demográfica do Brasil - conceito geográfico segundo o qual o número de adultos sobrepõe-se à soma dos números de idosos e jovens -, tal regulação ocasiona na sobrecarga Estatal a longo prazo, no que tange à concessão da aposentadoria. Essa conjuntura é corroborada pela ausência de educação financeira nas escolas, o que contribui para a formação de adultos sem planejamento previdenciário e, consequentemente, que necessitam cada vez mais do Estado. Para um país em envelhecimento, ou seja, com menos jovens trabalhando para sustentar um número maior de idosos, o prognóstico é desfavorável.
Ademais, o sociólogo italiano Domenico de Masi, por meio do conceito de Ócio Criativo, expressa a importância do lazer para a manutenção da saúde mental. Nesse sentido, a ausência de um círculo social sólido para os idosos pode ser um dos diversos fatores que tornam essa idade tão estigmatizada, uma vez que a caracteriza erroneamente como um período inerte e inválido. As famílias, por vezes atarefadas com a vida cotidiana, não possuem condição para dedicar tempo aos aposentados. Estes, dessa forma, acabam adoecendo por não desfrutarem de um ócio que os revigore como elementos sociais que necessitam de contato interpessoal. Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para solucionar os reais impasses quanto ao envelhecimento populacional do país. Logo, a fim de estimular o planejamento financeiro e a autonomia previdenciária dos adultos, o Ministério da Educação deve incrementar na grade curricular das graduações - em universidades públicas e privadas -, de forma obrigatória, os princípios da educação financeira, a qual deve ensinar aos alunos como criar uma reserva extra para a aposentadoria. Além disso, cabe à Iniciativa Privada, em parceria com os Municípios, a criação de um projeto de atividades para os idosos, como passeios aos pontos turísticos da cidade, visando a manutenção da atividade cognitiva e social deles. Assim, a condição de angústia expressa em “O Retrato” afastar-se-á da realidade brasileira.