Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 05/08/2019

Durante, principalmente, a década de 1950, o Brasil desenvolveu e internacionalizou sua indústria. De maneira paralela ao crescimento das indústrias de bens de consumo, os investimento na área de saúde e medicamentos foram massivos, além da rápida expansão urbana. Como consequência, no decorrer de setenta e cinco anos, a expectativa de vida brasileira aumentou em mais de trinta anos de idade. Dada a rapidez no crescimento da longevidade no Brasil, faz-se necessária a discussão acerca de suas consequências sociais e individuais dentro dessa nova realidade.

Em primeira análise, é importante salientar que o fenômeno da inversão da pirâmide etária, segundo especialistas, é uma tendência comum às sociedades urbanizadas. Entretanto, um dos impactos da diminuição da população em idade ativa está na retração da mão de obra disponível para o mercado, afetando não somente o processo de produção, como também a forma de consumir serviços e bens materiais. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística prevê que em 2030 a população de idosos irá superar, em número, a parcela jovem no Brasil. Contudo, ainda que hajam previsões sobre o formato da sociedade brasileira, não há projetos críveis de preparação e adaptação do mercado de trabalho e dos serviços públicos de saúde brasileiros.

Tendo em vista a inadequação dos sistemas públicos e privados no acolhimento dos idosos, têm-se como impacto a exclusão social dessa parcela. Segundo o IBGE, é estimado que mais de 10% dos idosos no Brasil sofram de depressão. Torna-se evidente que, a falta de planejamento familiar e a ausência de investimentos públicos ocasiona uma realidade de marginalização dessa parcela, onde cerca de 20% das pessoas em idade avançada são abandonadas em asilos, e menos de 10% possui algum tipo de reserva financeira privada. Tais dados revelam a falta de incentivo e debate acerca do envelhecimento planejado e saudável no Brasil.

Nesse sentido, é preciso que atitudes mais energéticas sejam tomadas a fim de que o envelhecimento no Brasil seja tratado como uma etapa planejada pelo indivíduo e pela família. Dessa maneira, espera-se projetos governamentais, em parceria com o Ministério da Saúde, divulgados em empresas e comércio, com o intuito de abrir o canal de debate acerca de previdências e aposentadorias. Além disso, o Ministério da Educação deve participar de maneira ativa, incentivando escolas e universidades públicas para que seja comum a todos os jovens o diálogo acerca do acolhimento de idosos e orientações para identificação de possíveis quadros de fragilidade da saúde psicológica. Assim, o Brasil caminhará para um futuro que cumpre com os princípios de respeito e dignidade sociais.