Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 04/08/2019

Desde a Segunda Guerra Mundial, efeitos médico-tecnológicos vem tomando espaço na vida das pessoas a nível mundial. A prevenção e o tratamento de doenças aliados ao desenvolvimento de melhor nutrição, condições habitacionais e saneamento proporcionou à uma melhoria na qualidade de vida da sociedade e à uma gradual mudança de mentalidade, visto que passou-se a ter certo controle sobre as taxas de fecundidade e mortalidade. Tais fatores implicaram, aos países desenvolvidos e emergentes, uma transição demográfica e o processo de envelhecimento da população começou a fazer parte da realidade econômica e social deles, incluindo o Brasil. Nesse contexto, faz-se pertinente a discussão a cerca dos impactos que o envelhecimento populacional brasileiro acarreta para a gestão administrativa do país, tais como: a influência na empregabilidade, no setor econômico e no consumo.

A princípio, o envelhecimento da sociedade contribui para a falta de mão de obra no âmbito empregatício. Com a diminuição significativa do número de jovens, o número da população economicamente ativa decresce e, dessa forma, as contribuições para a previdência social ficam prejudicadas, causando um elevado gasto público a fim de suprir o pagamento dos benefícios à população idosa. Por conseguinte, há uma necessidade de reforma no sistema previdenciário, para que o governo garanta condições de pagar todas as aposentadorias nos próximos anos, e no mercado de trabalho, já que além da falta de jovens, as companhias não buscam preparação para empregar pessoas mais idosas. Segundo José Roberto Ferreira Savoia - professor da USP - nos últimos anos, com a maior entrada de jovens no mercado, as empresas não são aptas para inserir idosos.

Outrossim, a completa transição demográfica e inversão das faixas etárias dominantes provoca graves consequências ao sistema de saúde de um país despreparado. O aumento no número de idosos acarreta problemas de saúde que desafiam o sistema público, devido à alta demanda por assistência especializada e de alto custo. Isso ocorre pela ampliação dos riscos de desenvolver doenças crônicas ou deficiências decorrentes da idade avançada. Desse modo, o país necessita promover um serviço assistencial contínuo e multidisciplinar na área da saúde, com ênfase em ações de prevenção. Conforme dados do Ministério da Saúde 75% dos idosos brasileiros dependem apenas do SUS.

Logo, percebe-se a necessidade de medidas de readaptação atual do país para suportar e manter o processo de envelhecimento populacional com qualidade. Dentre elas: a promoção, pela Secretaria do Trabalho em conjuntura com o Poder Legislativo, de leis que obriguem empresas a destinar ao menos 30% das vagas empregatícias aos idosos, além de estímulo fiscal nos impostos para que elas se ajustem e comprovem o atendimento às necessidades deles, a fim de inseri-los na economia do país.