Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 06/08/2019
A escritora Simone de Beauvoir em seu livro, a velhice, faz uma reflexão sobre o envelhecimento como um fato cultural e não apenas biológico. Nessa perspectiva, no limiar do século XXI, esse fato cultural tem crescido gradualmente e gera impactos na sociedade brasileira, visto que afeta diretamente a economia do país e a mobilidade urbana que deve ser reestruturada para promover uma maior inclusão desse grupo no ambiente de interação social.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que no decorrer dos anos a perspectiva de vida está aumentando e a taxa de fecundidade está amortecendo, pois as pirâmides etárias estão reestruturando novas conformidades de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma vez que a projeção populacional dos idosos de 2019 para 2060 apresentará aproximadamente o triplo. Desse modo, essa mudança gera impactos na economia brasileira, uma vez que a visibilidade do consumo estará relacionado as indústrias farmacêuticas e as empresas de promoção a saúde, além de ocorrer a atenuação da força de trabalho dentro das empresas, pois o número de adultos ativos sofre redução sendo isso um reflexo do panorama atual da taxa de fecundidade.
Ademais, é necessário que a mobilidade urbana seja modificada de forma gradativa diante do aumento no número de idosos que compõe a população do Brasil. A necessidade desse aspecto, pode ser verificado pelo levantamento de dados realizado pelo Movimento Paulista de Segurança no Trânsito que apresentou um em cada três acidentes de trânsito envolvendo pedestres era com pessoas acima dos 60 anos, no estado de São Paulo. Com isso, a exclusão mesmo que não intencionada propositalmente pode ser agravada no cenário da mobilidade urbana, pois além dos idosos possuírem suas limitações fisiológicas ainda encontram dificuldades na mobilidade urbana não permitindo a autonomia desse grupo social.
Portanto, o envelhecimento populacional no território brasileiro proporciona impactos econômicos e sociais na interação entre os civis. Diante de tal impasse, faz-se necessário que o Estado em conjunto com as Indústrias presentes no Brasil criem um plano de desenvolvimento diante do cenário da projeção populacional, para que se preparem para as mudanças da perspectiva de consumo, para que os prejuízos futuros sejam prevenidos. Além disso, o Ministério Público em conjunto com o Ministério das Cidades elaborem um plano de mobilidade urbana estruturada não apenas para questão de minimizar a superlotação de veículos no trânsito e moradias, mas principalmente ampliar para o acesso efetivo seguro de locomoção das minorias como os idosos, por meio da verba recolhida dos impostos pagos pelos brasileiros, assim atenuaria a dificuldade e a exclusão encontrada nos ambientes sociais.