Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 05/08/2019
Na Grécia Antiga, ao idoso era reservado um lugar subalterno, até que Platão anunciou que a velhice envolvia sensatez e juízo. Como fruto da Revolução Industrial ocorre uma inversão de valores, em vez de sábio ancião, resta ao idoso uma posição exclusa e marginalizada. Em consoante, no Brasil atual, as necessidades econômicas e sociais básicas da terceira idade não estão sendo supridas dignamente, devido ao preconceito por parte dos jovens e à problemas na previdência social.
Inicialmente, um entrave é a falta de percepção da população mais jovem, que age como se a velhice não fosse uma etapa pela qual a grande maioria também irá transitar. De fato, tal atitude se relaciona com a ideia de que neste século de ferro e sangue, cada um está demasiadamente ocupado com suas próprias mazelas para se compadecer com a das minorias. Conquanto, apesar de novamente o idoso ocupar uma zona subalterna como na Antiguidade, é fato que a pirâmide etária do país vem sofrendo alterações, assim observa-se em pesquisas como a do IBGE, que aponta uma projeção na qual até 2060, um em cada quatro brasileiros será idoso. Nessa situação, cabe avaliar os impactos e desafios na inclusão do grupo social em pauta, tendo em vista a afirmação de Habermas, ao dizer que, “incluir não é só trazer para perto, mas também respeitar e crescer junto com o outro”.
Nessa conjuntura, outro desafio enfrentado em decorrência do assunto, é o embate na previdência social - uma vez que o idoso é apresentado como beneficiário que já contribuiu com seu país, deve se ausentar do mercado de trabalho - tendo sua participação na esfera social e seu poder de compra drasticamente reduzidos. Por conseguinte, o declínio do cidadão como protagonista de sua história e a ascensão do mesmo em um papel coadjuvante na esfera pública bem como na geração de renda familiar, só complementam o processo de coisificação da pessoa. Esse cenário evidencia, então, o quanto a sociedade atual é individualista, ilustrando a ideia de modernidade líquida de Zygmunt Bauman, em que, “as relações sociais escorrem pelo vão dos dedos”.
Fica claro, portanto, que a inclusão social dos idosos é uma questão evidente e deve ser combatida. Para isso, o Ministério da Fazenda deve promover mudanças na previdência social, a fim de aumentar o poder aquisitivo dos idosos. Consequentemente, o público em foco tenderia a ocupar novos espaços e desconstruir com a ideia de produtividade própria da classe trabalhadora perante o mundo capitalista, dando um novo caráter ao valor do homem e opondo-se ao pensamento da sociedade industrial enraizado ao longo dos últimos 300 anos de história.