Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 13/08/2019

Devido aos avanços medicinais e a diminuição na taxa de fecundidade, a expectativa de vida no Brasil tende a crescer. No entanto, esse aumento não está associado à integridade dos idosos, gerando impactos negativos sobre o envelhecimento. Essa problemática se relaciona à deficiência das necessidades  econômicas e sociais oferecidas à essa faixa etária.

A princípio, mesmo a Constituição Federal garantindo o direito à dignidade dos idosos, muitas vezes, esse grupo é acometido por preconceito. Segundo Rosseau -em sua teoria contratualista- o Estado é o gestor dos interesses coletivos. Indo de encontro a perspectiva filosófica, há um descaso estatal para manter tal grupo no mercado de trabalho frente à situações de intolerância dos empregadores em relação à disposição física dos mais velhos. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o número de pessoas desempregadas acima de 50 anos quadruplicou, evidenciando a rejeição do trabalhista. Consequentemente, a terceira idade é acometida por altos índices de desemprego, corroborando para um impacto econômico negativo acerca do envelhecimento.

Ademais, o desenvolvimento tecnológico do século XXI resulta na exclusão social dos mais velhos. Segundo Albert Einstein, a democracia é o ideal político que respeita todos os homens. Entretanto, o cenário brasileiro, muitas vezes, é antidemocrático com as pessoas de idade avançada, pois a constante falta de tempo dos mais jovens gera impaciência em auxiliar a terceira idade em adentrar à nova dinamicidade social formada pela internet, comprovando a sociedade individualista de Zygmunt Bauman. Como consequência, o grupo excluído é acometido por problemas psicológicos, como a depressão que, muitas vezes, influencia no aumento da taxa de morbidade.

Portanto, a falha ao lidar com o envelhecimento gera impactos economicamente e socialmente negativos. Para atenuar tal problemática, é necessário que o Governo Federal arroje as medidas de saúde ocupacional por intermédio Estatuto do Idoso, garantindo a permanência de tal público no mercado de trabalho de maneira segura e respeitosa. Somando-se a isso, é necessário que o Poder Público afirme a capacitação continuada da terceira idade por meio de políticas de capacitação, como cursos de informática para os idosos, corroborando para a participação desses indivíduos frente às mudanças tecnológicas. Talvez, dessa forma, seja possível tornar os impactos do envelhecimento produtivos à sociedade, garantindo o Estado democrático de direito previsto na Constituição Federal e a integridade dos mais velhos.