Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 28/08/2019
A Constituição Cidadã de 1988 prevê no artigo 230 que a família, a sociedade e o Estado tem o dever de amparar as pessoas idosas, defender sua dignidade e garantir o direito à vida. Entretanto, o crescimento dessa população no país está sendo negligenciada na medida em que não exercem seus plenos direitos. Assim, torna-se imprescindível analisar os desafios sociopolíticos que sustentam esse panorama no Brasil.
A princípio, o brasileiro não possuí uma cultura de valorização dos mais velhos, já que estão imersos à uma cultura individualista. Nesse sentido, o sociólogo Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida” explica que a sociedade pós-moderna valoriza as próprias ambições e são incapazes de tomar atitudes altruístas. Ocorre, assim, um ciclo vicioso: o egoísmo social acarreta o individualismo, e esse motiva ainda mais a desvalorização do idoso. À vista disso, faz-se necessário reverter a mentalidade social, uma vez que a população senil tende a crescer e precisará ser assistida pela família e pela sociedade de forma digna.
Em detrimento a essa questão, a escassez de políticas públicas que ampare o idoso ativo no país é uma das principais barreiras nesse crescimento. Assim, de acordo com o IBGE em 2050 um em cada três brasileiros serão idosos, já que a expectativa de vida alcançou os 75 anos. Desse modo, não basta ter mais anos, mas ser acompanhado de qualidade de vida, assim é indubitável a necessidade de maior oferta de programas que ampare a pessoa idosa no campo da saúde e educacional, principalmente para desenvolver o cognitivo e sua reinserção na sociedade de forma ativa.
Impende, pois que a sociedade e o Governo assegure o direito previsto na Constituição e valorize a pessoa idosa. Para isso, é necessário que o Ministério da Educação promova em escolas e universidades um programa educacional, pelo intermédio de palestras com professores de sociologia, alunos e familiares, com fito de transmitir a sociedade as noções básicas do envelhecimento populacional, o direito do idoso, assim desconstruindo a mentalidade individualista na medida em que amplie o respeito e a empatia pelo mais velho. Ademais, o Poder Federal deve investir em construções de casas de acolhimento, com intuito de ensinar a essa população seus direitos, oferecer novos ofícios e, em parceria com o Ministério da Saúde promover atendimentos básicos de saúde, assim assistindo o idoso na sua particularidade. Dessa maneira, será possível assegurar um envelhecimento digno como previsto na Constituição Cidadã.