Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 05/09/2019

Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, ainda que casa sujeito possua sua individualidade, esta se entrelaça no contexto social dos diversos grupos e instituições das quais participa. Ao considerar esse olhar como ponto de partida para a discussão acerca os impactos do envelhecimento da população brasileira, é notável a influência de diversos atores sociais sobre a problematização desse tema. Nesse contexto, torna-se pontual não apenas questionar a falha Estatal na promoção de bem-estar aos idosos, mas também analisar seus impactos no organismo social.

Em primeira observação, cabe compreender como a falta de práticas sociais governamentais frente ao tema dificultam o processo de envelhecimento saudável no Brasil. Atesta-se, nessa perspectiva, a ideia de Bourdieu, na medida em que essa instituição, no caso a esfera de poder, repercute sobre as peculiaridades sociais, influenciando seus hábitos e comportamentos. É imprescindível, também, salientar como a falta de acompanhamento e de promoção de saúde aos idosos, justamente numa idade já debilitada que favorece o aparecimento de doenças, afasta o teórico fomento de bem-estar aos cidadãos pelo governo, sendo urgente uma reestigmação de práticas públicas nesse sentido. Vale observar a mudança na janela demográfica, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2015, como preponderante na urgência de implantações de medidas para reverter o quadro atual e prover o bem-estar aos idosos.

Paralelamente à questão governamental, outro ponto relevante, nesse cenário, é como o contexto pós-moderno dificulta o combate às problemáticas decorrentes do envelhecimento. Atesta-se, nesse viés, a ótica de Zygmunt Bauman, pois, em sua obra “O mal-estar na pós-modernidade”, o pensador advoga que o indivíduo contemporâneo age de maneira irracional por ser vitimado pela cegueira moral. Isso significa que a sociedade não alerta seus indivíduos para reconhecerem o isolamento social de idosos como danoso ao corpo social, uma vez que esse afastamento e perda de contato, já quase institucionalizados, a exemplo da crescente onda de internação em asilos, tornam-se precursores de doenças de cunho psicológico, bem como condutores de sua debilidade social. Configura-se como determinante, pois, a reestipulação de valores sociais para a mudança do paradigma atual frente ao envelhecimento populacional.

Haja vista as problemáticas decorrentes do envelhecimento da população, é mister a implantação de medidas para detê-las. A princípio, é fundamental que os Ministérios do Desenvolvimento Social e da Saúde fomentem o bem-estar dessa parcela populacional por meio da construção de centros de convivência, evitando seu isolamento, e de academias e centros hospitalares voltados à terceira idade, diminuindo e tratando os problemas de saúde. Ademais, cabe ao Ministério da Educação a criação de uma nova diretriz educacional que, desde a primeira infância, favoreça a associação do idoso pelos alunos e que valorize seu reconhecimento pela prática de palestras e de situação problemas, de modo a atenuar a atual falta de convívio e fortalecer seu valor social. Com essas iniciativas, espera-se que o entrelaçar entre os agrupamentos sociais, proposto por Bourdieu, possa conduzir a relações mais humanizadas.