Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 08/09/2019

Avanços na área médica reduziram a taxa de mortalidade, com isso, a expectativa se tornou maior. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o Brasil deverá chegar a 2050 com cerca de 15 milhões de idosos. Porém, a sociedade brasileira atual tem contrariado o Estatuto do Idoso - que assegura aos mais velhos seus direitos básicos - por meio da invisibilidade dos anciões e das persistentes marcas de subdesenvolvimento.

Aos poucos, perde-se o protagonismo do idoso na sociedade. Devido às limitações corporais que acompanham o envelhecimento, essas pessoas são excluídas da sociedade de modo que se tornem invisíveis com o tempo. De acordo com o sociólogo Nick Couldry, na obra “Por que a voz importa?”, existem inúmeras vozes que, por não serem ouvidas, acabam relegadas à inexistência. Desse modo, cria-se uma barreira para a efetiva democracia, e assim, os idosos ficam impossibilitados de ter espaço na sociedade.

Além disso, percebe-se que o envelhecimento brasileiro não é acompanhado pelo aumento da qualidade de vida da população. Na Europa, o aumento da expectativa de vida, no pós-Revolução Industrial, se deu devido à melhoria das condições de vida da população, o Brasil, porém, não partilhou dessa experiência. É visto que grande parte da população brasileira não vivenciou nenhuma melhora significativa na qualidade de vida sob o ponto de vista sócio-econômico, ainda assim, as taxas de mortalidade têm diminuído. Essa diminuição ocorre porque a sociedade recebe imunização ativa para algumas doenças e tratamentos específicos para outras, porém as marcas do subdesenvolvimento continuam presentes , como a morte por doenças advindas da precariedade do saneamento básico e pela subnutrição ainda existente.

Torna-se evidente, portanto, que a mudança da configuração da pirâmide etária é um fato e traz consigo desafios a serem enfrentados pela sociedade brasileira. Entre eles está a necessidade do governo brasileiro de assegurar os direitos básicos do cidadão, combater a pobreza e a desigualdade, por meio da expansão de programas como o Bolsa Família e Minha Casa Minha vida, para atingir não só aqueles já idosos, mas toda a sociedade. Ademais, empresas, a fim de reintegrar o idoso na sociedade, devem criar vagas no mercado de trabalho que respeitem as limitações decorrentes da melhor idade. Com isso, é possível assegurar os direitos garantidos no Estatuto do Idoso.