Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 23/09/2019

A pirâmide demográfica brasileira, ao decorrer das décadas, presencia um alargamento de seu topo, o que é reflexo do acesso cada vez mais universal da saúde, alimentação e saneamento básico. Conquanto, o aumento de pessoas idosas, se por um lado, revela sucesso do Estado em seguir a Constituição Federal e oferecer serviços e direitos à todos, por outro, causa impactos à sociedade em diversas instâncias, como na economia devido ao aumento de aposentados, e nos serviços de saúde, oriundo dos maiores cuidados à terceira idade. Neste ínterim, é inegável que o envelhecimento da população brasileira é questão de Estado e, avaliar suas as causas e consequências é imprescindível.

Em primeira análise, a população idosa do mundo nas últimas décadas, têm aumento devido ao avanço das tecnologias e consigo, aprimoramento da medicina e da indústria farmacêutica. No Brasil, o acesso desses avanços da saúde, muitas vezes é facilitada através do Sistema Único de Saúde (SUS), o que justifica,em parte, o envelhecimento da população nacional visto que o Brasil é um país com expressiva população carente. Entretanto, elucidada a tendência de envelhecimento, faz-se necessário o incentivo à prevenção de doenças. Assim sendo, a sobrecarga ao SUS será diminuída e menos cidadãos carecerão de medicação e atendimento. Nesse ínterim, sob ótica de Foucault, em sua obra “Microfísica do Poder”, o Estado deve usar seu poder de Biopolítica, ou seja, agir sobre os corpos biológicos, na perspectiva de focar nas maiores incidências de enfermidades entre os idosos e agir de maneira preventiva, como campanhas de vacinação e construções de quadras poliesportivas para idosos.

Em segunda análise, nota-se uma pequena massa de população economicamente ativa (PEA), em detrimento de uma grande massa de inativas. Esse quadro, de muitas pessoas utilizando serviços públicos e poucas contribuindo ativamente, faz com que o Estado gere iniciativas, como é o caso da proposta da Reforma da Previdência, em que os tópicos mais discutidos são o aumento no tempo mínimo de contribuição e diminuições nos salários da aposentadoria. Nesse contexto, em concordância com a análise de Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, a população brasileira deve sair do estado de fluidez com suas relações e adquirir responsabilidade com o presente e, principalmente, com o futuro, de forma a pensar nele e se organizar financeiramente, fisicamente e psicologicamente.

Neste contexto, portanto, medidas são necessárias para que o envelhecimento da população ande junto com o bem-estar geral. O Ministério da Educação em parceria com o Governo Federal, devem instaurar uma nova matéria na grade curricular de “planejamento financeiro”, a fim de formar cidadãos com consciência de capital e prepará-los para o novo panorama nacional, o qual, indubitavelmente, será de uma pirâmide com base cada vez mais estreita, segurando um topo cada vez maior.