Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 19/09/2019
Ideal seria um país onde todas as pessoas tivessem acesso a seus direitos, como saúde, inclusão e bem-estar individual, de maneira democrática. Na realidade brasileira, entretanto, o que ocorre é justamente o inverso, a população idosa amplia a cada ano, mas os projetos sociais, lamentavelmente, não acompanham tal fenômeno. Por essa razão, tornou-se uma problemática de enorme relevância, sendo assim, é imprescindível a discussão acerca dos impactos do envelhecimento populacional e possível medida para atenuá-los.
Mormente, o crescimento da presença de idosos na sociedade corrobora, infelizmente, o aumento de casos patológicos no Brasil, pois o corpo é mais suscetível a doenças e, dificilmente, conseguem consultas médicas qualificadas. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, atualmente a terceira idade corresponde a 14% da população, e, daqui a 30 anos, será 30%, ou seja, os custos assistencialistas serão dobrados. Compreende-se, portanto, que, se o Estado permanecer inerte à situação, ocorrerá um agravamento dos riscos de saúde da comunidade envelhecida.
Em segunda análise, com o advento da Revolução Industrial e a mercantilização da força de trabalho, as relações sociais estão cada vez mais superficiais. Nesse contexto, segundo o sociólogo polonês do século XXI, Zygmunt Bauman, a sociedade contemporânea presencia o conceito de “Modernidade Líquida”, em que a individualidade é preferencial e as afetividades são deixadas de lado. Esse fato impacta, diretamente, a vida daqueles que ainda não se adaptaram, geralmente, os idosos. Nessa perspectiva, é inadmissível que um país signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos não garanta, minimamente, a saúde mental e sentimental de todos os indivíduos.
Diante dos argumentos supracitados, cabe ao Ministério da Saúde, órgão responsável por manter a dignidade humana, reduzir o número de pessoas desprovidas de atendimento médico, por meio de maiores investimentos em hospitais e postos de saúde direcionados, principalmente, à população em envelhecimento, visando assim, ao bem-estar nacional. Ademais, o Ministério da Educação precisa criar campanhas socioeducativas, em instituições de ensino público e privado, para informar melhor os jovens em relação à importância de dar a devida atenção aos avós. Desse modo, haverá uma coexistência pacífica entre as diferentes gerações, o que é benefício para ambas.