Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 21/12/2020

Nas últimas décadas, houve diversos avanços na saúde pública, nos regimes terapêuticos farmacológicos e na qualidade de vida das pessoas. Tais avanços, por conseguinte, possibilitaram o aumento da expectativa de vida e a necessidade de um olhar mais atento para as pessoas idosas. Nesse contexto, a superação de barreiras tecnológicas e comportamentais são essenciais para que essa crescente parcela da população possa participar plenamente da vida em sociedade.

Primeiramente, vale ressaltar que um dos principais desafios que as pessoas da terceira idade enfrentam, para que a integração na sociedade seja plena, é a dificuldade em lidar com os avanços tecnólogicos. Segundo o filósofo Pierre Levy, na obra “Cibercultura”, diversas relações interpessoais hodiernas ocorrem, majoritariamente, nos meios digitais. Logo, a falta de perícia com os “gadgets” e as mídias sociais, como Instagram e Facebook, são desafios que devem ser superados, visto que acabam por excluir a população idosa de uma gama de interações sociais, como entretenimento e debates políticos.

Ademais, associado as dificuldades tecnológicas, o preconceito com os idosos agrava, ainda mais, a exclusão social desse grupo. Consoante dados da Organização Mundial de Comércio (OMC), países desenvolvidos, como Suécia e Canadá, que apresentam a sua pirâmide etária invertida, possuem um maior número de idosos no mercado de trabalho. Desse modo, a ideia que o indivíduo idoso não está apto para o mercado de trabalho é equivocada e pune não somente a parcela idosa como toda a economia do país. Nesse cenário, o filme “O estagiário”, estrelado por Robert de Niro, ilustra como a experiência de vida dos mais velhos pode auxiliar na tomada de decisões e na geração de valor para as empresas.

Infere-se, portanto, que há entraves a serem resolvidos. Assim, o Ministério da Ciência e Tecnologia, por meio de parcerias com as secretarias de Desenvolvimento, deve criar cursos que ensinem a população idosa a utilizar aparelhos e ferramentas, como Instagram e Facebook, a fim de facilitar a inclusão social. Esses cursos devem ser ministrados em locais que já possuem celulares e computadores, uma vez que nem toda a população possui esses equipamentos. Além disso, o Poder Legislativo deve criar leis que obriguem um percentual mínimo de idosos nas empresas, no intuito de integrá-los no mercado de trabalho e, assim, diminuir o preconceito e a exclusão social.