Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 30/10/2019
Na obra “Utopia” o autor, Thomas More, descreve uma sociedade na qual se privilegia o bem-estar coletivo em detrimento dos anseios individuais. Fora da literatura, os impactos do envelhecimento não corroboram com a ficção. Dessa forma, cabe analisar a influência negativa desses fatores, seja no mercado de trabalho, seja nas relações sociais, a fim de mitigá-los.
Em primeira análise, os indivíduos idosos estão mais vulneráveis ao subemprego, posto que são preteridos em relação a população jovem. Segundo o IPEA, em 2019, a taxa de ocupação de pessoas com mais de 60 anos subiu 5,3 %, sendo a maioria de serviços informais. Isso ocorre porque esse grupo não possui qualificação para o mercado trabalho, que cada vez mais torna-se exigente. Consequentemente, esse panorama não é favorável, visto que não gera a segurança laboral necessária ao exercício profissional por parte da terceira idade.
Além disso, o aumento da longevidade causa um impacto na vida do indivíduo e, por conseguinte, fomenta conflitos sociais entre as gerações. Conforme Zygmunt Bauman, em “Modernidade Líquida”, as atuais relações sociais estão caracterizadas pela sua fluidez e dinamicidade. De maneira análoga, hodiernamente, os idosos não conseguem acompanhar o desenvolvimento tecnológico e às mudanças de hábitos da comunidade. Ademais, não recebem auxilio adequado dos entes mais jovens, que já estão inseridos nesse processo. Em decorrência disso, são excluídos e têm sua autonomia prejudicada.
Portanto, são necessárias medidas capazes de amenizar essa problemática. Para que o envelhecimento da população seja benéfico ao mercado de trabalho, urge que o Ministério da Economia em parceria com empresas privadas, crie um programa de capacitação profissional para maiores de 60 anos. Isso deve ocorrer por meio de aulas ministradas por professores e com didática apropriada à faixa etária. Destarte, a sociedade brasileira estará mais próxima do bem-estar, como em “Utopia”.