Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 22/10/2019

A Declaração Universal dos Direitos Humanos - promulgada em 1948 pela ONU - assegura o direito à saúde e ao tratamento respeitoso as pessoas idosas. Entretanto, nota-se, no Brasil, que esse grupo social enfrenta obstáculos para usufruir, plenamente, dessa garantia internacional. Nesse sentido, a construção de uma sociedade que valorize o idoso, pressupõe a melhora do sistema público de saúde, bem como a desconstrução do preconceito com essa parcela da população.

A princípio, a ineficácia do sistema público de saúde é um empecilho para a qualidade do envelhecimento. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman afirma, em sua obra “Modernidade Líquida” que algumas instituições - dentre elas o Estado - perderam a sua função social mas conservam sua forma e configuram “instituições zumbis”. Essa metáfora proposta pelo sociólogo revela a incompetência do Ministério da Saúde para lidar com o envelhecimento da população brasileira, visto que a atual política de saúde pública é incapaz de atender a crescente demanda. Por conseguinte, o envelhecimento dos brasileiros não ocorre de forma digna e qualificada.

De outra parte, há de desconstruir o preconceito com a população idosa. Nesse contexto, o escritor Franz Kaftka, em sua obra “A metamorfose”, disserta sobre a sociedade contemporânea na relação homem-trabalho: o protagonista, quando impossibilitado de trabalhar e gerar lucros a família, se metamorfoseia em um “inseto monstruoso”. Essa alegoria apresentada pelo escritor é vivenciada pela população senil brasileira que, muitas vezes, são impossibilitados de trabalhar, e, por isso, não geram lucros ao capitalismo e perdem a sua função social. Todavia, enquanto essa cultura de exclusão se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com um dos mais graves problemas vivenciado pela população senil: o desrespeito.

Portanto, urge que o Ministério da Saúde crie - com urgência - programas capazes de ofertar um envelhecimento digno e qualificado para os brasileiros, por meio de investimentos na infraestrutura do sistema público de saúde, com o fito de atender as demandas atuais e futuras. Além disso, o Ministério da Educação deve promover - com prioridade - palestras, no âmbito escolar, por intermédio de sociólogos, a fim de combater o preconceito com os idosos. Assim, a população senil brasileira será capaz de usufruir, plenamente, dos direitos assegurados pela ONU.