Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 23/10/2019

No livro “Quando Nietzche Chorou", o psicoterapeuta Irvin D.Yalom imagina um encontro entre os o filósofo Friedrich Nietzche e um dos país da psicanálise, o Doutor Josef Breuer. Durante a trama, os personagens, presos em obsessões e profundo desespero, começaram a conversar sobre seus problemas e o medo do envelhecimento. A obra mescla a ficção e realidade, que apresenta seu simbolismo na contemporaneidade ao constatar-se que o “medo do envelhecimento” é um grande óbice brasileiro, fruto de dois fatores, a saber, a escassez laboral, bem como a inação governamental.

Em primeira análise, convém salientar que a falta de mão de obra é herança do mundo capitalista. Isso porque, na concepção filosófica, Albert Camus, em seu ensaio “O mito de Sisífo", mergulha no clássico mito grego de Sisífo - condenado eternamente à tarefa de rolar um rochedo até o cimo de um monte -, para explicar que a vida dos homens é tal qual o mito : seguir um rotina diária, sem sentido próprio, determinada por instâncias capitalistas. Em decorrência disso, a sociedade atual considera que um filho possa ser um empecilho ao continuo de seus objetivos, bem como um elevado custo financeiro. Não é à toa, então, que a pirâmide etária da população brasileiras esteja se transformando e, assim, a baixa taxa de natalidade e a alta expectativa de vida, impacta economicamente, à vista que a falta de futuros jovens no mercado de trabalho abanca a estagnação da economia nacional.

Atrelado a isso, é imperioso salientar que a negligência do Poder Pública é responsável pelo assombro do envelhecimento. Acerca disso, no âmbito da sociologia, Max Weber, símbolo máximo do individualismo metodológico, defende que esse fenômeno social só pode ser explicado com recurso às características dos indivíduos, isto é, o individual precede o social, pois nem toda ação política orienta o bem-estar comum, mas, sim, os anseios de alguns poucos endinheirados. Ora, se, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE -, o porcentual de pessoas com mais de 65 anos passará dos atuais 9,2% para 25,5%, é racional acreditar que esse caráter individualista não desenvolva um sistema de saúde adequado ao trato com esse aumento exponencial dos idosos no país.

Urge, portanto, a necessidade de incrementos governamentais que mitiguem os efeitos do envelhecimento no Brasil. Em razão disso, o Estado, pressionado por ONGs como o “Projeto Velho Amigo", deve criar um programa polivalente de nome “Envelhecimento: precisamos falar sobre isso!", que, por meio de uma Emenda à Constituição, exija o uso de campanhas de abrangência nacional, com a finalidade de propor uma reflexão lúdica a população, sobretudo sobre a importância de um filho, e, ainda assim, fazer a avaliação e acompanhamento do idoso, a fim de melhorar sua saúde e bem-estar social. Talvez, então, restringir-se-á à ficção de Irvin D.Yalom o medo de envelhecer.