Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 19/10/2019
Segundo o pensamento de Claude Lévi-Strauss, a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como os eventos históricos e as relações sociais. Esse panorama auxilia na análise da questão dos impactos do envelhecimento da população brasileira, visto que a comunidade, historicamente, marginaliza essas minorias, o que promove a falta de apoio da população e do Estado. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro - dado o crescente número de idosos no país - além do papel constitucional na inserção desses sujeitos na sociedade e sua participação plena no corpo econômico do país.
A Constituição cidadã de 1988 garante o princípio da isonomia, o qual todos possuem os mesmos direitos perante a lei, todavia o Poder Executivo não efetiva essa demanda. Consoante Aristóteles no livro “Ética a Nicômaco”, a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos, logo se verifica que esse conceito encontra-se deturpado no Brasil, à medida que a oferta de estrutura para suprir a demanda do aumento na expectativa de vida encontra-se fragilizada, como também da preparação do número de serviços especializados no cuidado à esses cidadãos, desenvolvendo uma crise não só econômica, como social.
Convém ressaltar, em segundo plano, que a má formação socioeducacional do brasileiro é um fator determinante para a permanência dos impactos do envelhecimento dos cidadãos no país, uma vez que os governantes respondem aos anseios sociais e grande parte da população não exige uma estrutura inclusiva por não necessitar dela. Isso, consoante ao pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca, ocorre porque a educação básica é deficitária e pouco prepara cidadãos no que tange às necessidades de outros indivíduos. Tal fato se reflete nos ínfimos investimentos governamentais em capacitação profissional, econômico e em melhor estrutura física para comportar as necessidades desses indivíduos.
Portanto, faz-se necessário que a Escola promova a formação de cidadãos que respeitem às diferenças e valorizem a inclusão, por intermédio de palestras, debates e trabalhos em grupo, que envolvam a família a respeito desse tema, visando a ampliar o contato entre a comunidade escolar. Além disso, é imprescindível que o Poder Público destine maiores investimentos à capacitação de profissionais especializados no atendimento a esses indivíduos, nas áreas da saúde, educação e empresarial, somados com melhorias estruturais nesses âmbitos, objetificando ampliar a participação desse grupo social no mercado de trabalho.