Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 19/10/2019
O filme “UP-Altas aventuras” retrata a vida de Carl, um idoso solitário que encontra a sinergia de um menino para viver longos divertimentos na sua tenra idade. Fora da ficção, no Brasil, a triste realidade cercada de tristezas dos idosos difere completamente da vivida pelo protagonista da trama. Nesse ínterim, apesar dos estudos de Drauzio Varella e Michael Foucault terem visões primordiais nesse âmbito, a deficiência administrativa do Sistema Único de Saúde e o prosseguimento dos abandonos familiares nos institutos geriátricos têm intensificado tal problemática.
Em primeiro lugar, é notável que se o SUS conseguisse desempenhar a sua função pressuposta, o sistema de saúde público brasileiro seria primoroso, porém, com a perspectiva de aumento da população idosa no País, torna-se inevitável alterar parâmetros desse benefício para que seja visto na prática e proveitoso à sociedade. Nessa linha de pensamento, o Dr. Drauzio Varella constata que essa progressão da faixa etária requer a priorização desse programa para os mais carentes à proporção que esses indivíduos não dispõem de recursos financeiros para o tratamento em hospitais particulares e os gastos do Governo tendem a ser utópicos. Dessa forma, seria possível tornar o gerenciamento do SUS mais eficiente, tendo em vista que, conforme a pesquisa da Elsi-Brasil, cerca de 75% dos idosos utilizam esse sistema.
Nessas circunstâncias, com a internação dos idosos nos ambientes de geriatria, o afastamento desses indivíduos do núcleo familiar pode facilitar a introdução de sofrimentos e doenças, a exemplo do personagem Carl, que tinha uma vida monótona antes de conhecer o menino. Em face disso, o filósofo Foucault, na sua obra “Vigiar e Punir”, infere a necessidade de fiscalização dessas idiossincrasias nocivas para responsabilizar os responsáveis pelas condutas. Desse modo, esses fatores auxiliam no entendimento da pesquisa da Universidade de Chicago, que demonstra a ocorrência do isolamento social do idoso como peça chave do aumento de vulnerabilidade à doenças na tenra idade.
Destarte, são impostergáveis medidas para ampliar a preferência de atendimento do SUS e a fiscalização do abandono familiar. Nesse sentido, o Ministério da Justiça deve criar leis de proteção ao idosos, de modo que priorize o atendimento no SUS dos mais paupérrimos e garanta a devida responsabilização das famílias que renunciam-os, a fim de melhorar a qualidade de tratamento e de vida desses indivíduos. Somente assim, o Brasil poderá asseverar direitos efetivos para a população idosa, transformando as cenas de alegria e esperança vividas pelo protagonistas Carl em uma realidade nacional.