Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 19/10/2019
Em meados do século XX, o Brasil testemunhou a ocorrência da Revolução Médico-sanitária, fator imprescindível para a diminuição da mortalidade e consequente aumento populacional. Contemporaneamente, observa-se que o número de idosos vem crescendo, o que exige da nação a adoção de práticas que garantam o bem-estar necessário nessa fase da vida. Dessa forma, os impactos do envelhecimento da população brasileira, sucedem, especialmente, no sistema de saúde pública e na questão orçamentária da previdência.
Em primeiro lugar, sob a ótica médico-hospitalar, a deficiência na assistência primária voltada para osidosos promove a exposição dessa população a contração de doenças mais graves. Esse panorama encontra origem na incapacidade do Estado em direcionar esforços para a atenção básica que favorece a prevenção de enfermidades, diminuindo as chances de agravamento das doenças e possível superlotação de hospitais. Nessa perspectiva, a necessidade de evitar o contágio de doenças perigosas em idosos relaciona-se a estratégia do médico Oswaldo Cruz, que buscou a vacinação obrigatória dos indivíduos para controlar o avanço da varíola no século XX. Desse modo, o direcionamento de recursos na promoção da assistência básica para a terceira idade faz-se extremamente necessário.
Ademais, em um segundo plano, o valor da aposentadoria recebido pelos idosos é insuficiente para arcar com as despesas desse momento da vida, o que representa um empecilho para o bem estar dessa população. Essa percepção explica-se pela maldosa lógica capitalista de aumentar o preço de produtos, como medicamentos, quando há uma crescente demanda pelos mesmos. Com isso, os indivíduos idosos precisam, muitas vezes, voltar ao mercado de trabalho para complementar a renda torná-la suficiente para o pagamento das despesas. Nesse sentido, segundo o filósofo alemão Karl Marx, o capitalismo gera o seu próprio coveiro, haja vista que os altos preços de medicamentos e produtos de higiene dificultam o maior consumo da população idosa. Dessa maneira, a aposentadoria necessita ser reformulada para que seja suficiente para o consumo da terceira idade.
Torna-se evidente, portanto, que os impactos do envelhecimento da sociedade brasileira implicam na melhoria da saúde pública e na restruturação da aposentadoria. Para estimular esse cenário, o Poder Executivo Federal, sob a forma de Ministério da Saúde deve reformular e criar novas políticas de saúde que busquem aumentar a assistência médico-primária para a população idosa. Para que isso seja possível, o governo federal deverá investir na construção de clínicas com equipes médicas especializadas em Geriatria que realizem exames periódicos e consultas frequentes nos idosos. Somente assim, o Brasil no futuro será composto por uma população idosa mais saudável e ativa.