Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 28/10/2019
Inércia newtoniana
Parafraseando a primeira lei de Newton, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que forças externas consideráveis ajam sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é, desafortunadamente, o hodierno cenário dos impactos do envelhecimento da população brasileira: uma inércia que perdura em detrimento do aumento da dívida previdenciária, além do crescente custo dos planos de saúde para a terceira idade. Sendo assim, convém analisar os principais pilares dessa chaga social.
Vale ressaltar, a princípio, que preocupações associadas ao caos do sistema previdenciário não apenas existem, como vêm crescendo diariamente. Ademais, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de idosos na população brasileira deverá ultrapassar a de crianças e adolescentes a partir de 2040; dados como esses se mostram alarmantes, tendo em vista a atual conjuntura do âmbito nacional. Dessa forma, a população economicamente ativa, que paga impostos mensais para financiar o recebimento dos aposentados, mostrar-se-á cada vez mais insuficiente com o aumento progressivo dos idosos e, consequentemente, propiciando no agravamento da crise e a formação de um impasse social com dimensões cada vez maiores.
Faz mister, ainda, salientar o aumento dos valores mensais dos convênios para com os longevos como impulsionador da problemática. Outrossim, Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, alegou em suas “Memórias Póstumas” que não teve filhos e não transmitiu para criatura sequer o legado de nossa miséria; possivelmente, hoje, ele percebesse quão certeira foi sua decisão: o atual cenário do abandono crescente dos planos de saúde pelos jovens é umas das faces mais lamentáveis do âmbito nacional. Aprofundando mais, como os convênios se baseiam no mutualismo - diluição de riscos entre um grupo de pessoas - e o pacto intergeracional - o qual os mais jovens arcam com parte das despesas dos mais velhos -, a evacuação de adultos jovens do sistema acarreta na elevação dos custos per capita dos idosos, pelo fato de gerarem mais despesas assistenciais.
Destarte, são necessárias atitudes para reverter o atual quadro brasileiro. Assim sendo, o Poder Legislativo deve criar leis que estabeleçam um piso salarial aos políticos de, no máximo, dez mil reais - dependendo do cargo ocupado - para investir no sistema previdenciário, a fim de diminuir a contínua crise que assola o Brasil. Aliado a isso, o Ministério da Saúde deve promover campanhas e palestras com o intuito de incentivar os jovens a aderir aos convênios, debatendo sobre a importância de tê-los e, também, pela contribuição com as despesas dos idosos. Somente assim, com medidas graduais, poder-se-á alcançar forças externas que sejam suficientes para romper a inércia newtoniana.