Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 25/10/2019

O filme “UP-Altas aventuras” retrata a vida de Carl, um idoso solitário que encontra a sinergia de um menino para viver longos divertimentos na sua tenra idade. Fora da ficção, de maneira oposta no Brasil, a questão do envelhecimento difere completamente da trama, pois, a repulsão familiar e a ineficácia do Sistema Único de Saúde são obstáculos na vida dos idosos. Nesse ínterim, é imperioso pleitear medidas efetivas para garantir auxílio obrigatório da família desses indivíduos e melhorar essa instituição.

Em primeiro lugar, é visível que a desvalorização da cultura dos anciões, datada desde a 1ª Revolução Industrial, conservou julgamentos sobre a capacidade produtiva em detrimento da sabedoria, o que ainda beneficia os mais jovens e subestima o público idoso, a exemplos dos abandonos familiares e da vida monótona do protagonista Carl até conhecer o menino. Em face disso, o filósofo Foucault, na obra “Vigiar e Punir”, infere que essa concepção é formada pela negligência do Governo, que deveria instituir direitos para compensar esse desequilíbrio na sociedade. Desse modo, é possível entender porque, segundo a Globo, o afastamento familiar potencializa em 14% as chances de morte dos idosos.

Nessas circunstâncias, com a perspectiva de aumento da população idosa no País, é notável que o investimento no SUS minimiza a vulnerabilidade dessa sociedade na medida em que amplia a infraestrutura de atendimento. Seguindo essa linha de pensamento, o Professor Theodore Schultz, na Teoria do Capital Humano, constata que esse incentivo financeiro aprimora a saúde pública à proporção que potencializa oportunidades acessíveis e benéficas para a manutenção da qualidade de vida da população. Dessa forma, essa expectativa de progressão etária necessita de ampliação do SUS, já que, segundo a pesquisa da Elsi-Brasil, cerca de 75% dos idosos precisam desse sistema.

Destarte, são impostergáveis medidas para ampliar a valorização dos idosos e garantir investimentos no SUS. Nesse sentido, o Governo deve complementar o estatuto do idoso, de modo a integrar a obrigatoriedade do cuidado familiar na velhice, a fim de promover a valorização da cultura dos anciões. Ademais, urge que o Ministério da Economia idealize impostos anuais compatíveis com as classes sociais, de maneira a conceder recursos financeiros para o investimento no SUS, a fim de garantir, essencialmente, uma infraestrutura de atendimento adequado para o público idoso. Somente assim, o Brasil poderá constituir uma política de valorização desses indivíduos, transformando as experiências benéficas de Carl em realidade.