Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 27/10/2019
“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho”. Através deste trecho do poeta modernista Carlos Drummond de Andrade, vê-se que há uma ideia equivocada aos impactos do envelhecimento da população brasileira no que tange na falta de pessoas no mercado de trabalho e no decréscimo no consumo de produtos tecnológicos, logo, urge necessidade de discussão sobre essa problemática.
Em primeiro lugar, a opressão simbólica da qual trata o sociólogo Pierre Bordieu: a violação aos direitos humanos não consiste somente no embate físico, o desrespeito está, sobretudo, na perpetuação de preconceitos que atentam contra a dignidade da pessoa humana ou de um grupo social. Dessa maneira, a sociedade apresenta um preconceito em relação aos idosos em questão de mercado de trabalho numa visão materialista do ser humano como um produto, depois de usado por determinado período de tempo, acabado, porém o que deve ser ressaltado é justamente que esse grupo social tem maior experiência profissional e pessoal, por conseguinte, contribuiria enormemente para os setores da sociedade.
Em segundo lugar, o psicólogo suíço Jean Piaget salienta um conceito meritório relacionado ao desenvolvimento do ser humano chamada de “assimilação” pela qual as ideias, pessoas, costumes são incorporados à atividade do sujeito. Nessa lógica, o indivíduo, independentemente de idade, está constantemente em aprendizagem, ou seja, os idosos também podem aprender assuntos novos, logo, o contato com o advento das novas tecnologias, além da internet, é primordial nesse processo de aprendizagem onde o acesso a informação pode ser feito por qualquer um.
Portanto, infere-se que o problema se mostra uma grande pedra a ser removida do caminho para o bem estar social. Nesse sentido, é mister que o Ministério da Cidadania desenvolva uma maior inserção da população idosa no mercado de trabalho, além de promover o acesso a novas tecnologias. Outrossim, as escolas, em parceria com as famílias, devem inserir a discussão sobre essa problemática no ambiente doméstico quanto no estudantil por intermédio de palestrantes, com a participação de psicólogos e especialistas que debatam acerca das ideias equivocadas a respeito do grupo social idoso, com objetivo de desenvolver uma visão mais natural do envelhecimento. Feito isso, estamos avançando para uma sociedade mais harmoniosa.