Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 29/10/2019
Nos últimos anos, moradores de Feliz, cidade Gaúcha que conta com a maior média de idade do país, apareceram várias vezes na mídia nacional como exemplos de qualidade de vida. Os habitantes locais costumam atribuir sua longevidade à sua rotina tranquila, mas muito ativa, na comunidade. De fato, além dessa “receita de felicidade” de sabedoria popular, os avanços tecnológicos na área da saúde, como os antibióticos e as vacinas, têm permitido às pessoas viverem mais. Embora esse aumento da expectativa de vida deva ser celebrado pela humanidade, o envelhecimento da população traz impactos sociais negativos relevantes, como a redução proporcional de pessoas economicamente ativas e a elevação dos custos com saúde pública, os quais merecem análise no contexto brasileiro.
A priori, cabe ressaltar que a elevação da expectativa de vida tem sido concomitante à diminuição da taxa de natalidade, o que tende a reduzir, percentualmente, a população economicamente ativa no país, em poucos anos, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Nesse âmbito, o maior impacto orçamentário recai sobre a previdência social, já que o número anual de aposentadorias deverá superar o de ingressantes no mercado de trabalho em um futuro próximo, aumentando o déficit previdenciário nacional. Assim, não há dúvidas de que o Estado brasileiro deve, desde já, planejar formas de inclusão de pessoas acima de 65 anos em atividades que gerem retorno econômico, como o empreendedorismo e a educação na terceira idade.
A posteriori, o envelhecimento da população tende a gerar maior demanda por serviços de saúde. Nesse setor, a Organização Mundial da Saúde alerta para o significativo aumento de doenças associadas à velhice, como o câncer e o mal de Alzheimer, que deve ocorrer nos próximos 10 anos em países em desenvolvimento, como o Brasil. Portanto, é essencial que o poder público amplie os investimentos em medicina preventiva no país, para que aumentem as chances de sobrevida dos pacientes e para atenuar os gastos com internações hospitalares no Sistema Único de Saúde.
Diante do exposto, com a finalidade de minimizar os impactos negativos do envelhecimento da população no Brasil, o Governo Federal deve atuar para promover a inclusão econômica dos idosos e para aumentar os cuidados preventivos com a saúde dos brasileiros, por meio da criação de políticas públicas que ofereçam, junto às Prefeituras Municipais, cursos gratuitos de qualificação em negócios para pessoas com mais de 60 anos que desejem empreender e, ainda, gratuidade em exames de saúde anuais de rotina, na rede pública, para todos os brasileiros com mais de 50 anos. Dessa forma, a velhice ativa e tranquila dos habitantes de Feliz poderá ser proporcionada aos idosos em todo o território nacional.