Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 02/03/2020
Em sua etimologia biológica a palavra envelhecimento representa a diminuição orgânica e funcional que ocorre com o decorrer do tempo e que afeta todo ser vivo. Com isso, os avanços medicinais proporcionam cada vez mais o prolongamento desse processo e o aumento da expectativa de vida, o que resulta no crescimento populacional dessa faixa etária e, consequentemente, na maior demanda por serviços públicos. Porém, no Brasil é evidente a falta de estrutura capaz de suprir as necessidades e garantir a proteção desses idosos que, por sua vez, são vítimas de inúmeros problemas.
A priori, é válido destacar que o envelhecimento da população brasileira requer uma maior infraestrutura de setores que garantam o bem-estar desses indivíduos, no entanto o Estado se mantem inerte perante a situação. Com a diminuição da fecundidade e o aumento da expectativa de vida que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, se encontra em 72 anos, torna-se implícito a tendência de aumento do número de idosos e, em contrapartida, uma futura diminuição de cidadãos economicamente ativos e aptos a contribuir com a previdenciária. Dessa forma, os gastos nesse setor se tornam maiores que a receita, o que implica numa crise no sistema de aposentadorias. Nesse sentido, a falta de aprimoramento do recolhimento de tais recursos demonstram a despreocupação das entidades governamentais em conter e evitar a intensificação desse transtorno.
Dentre outros efeitos, a superlotação dos hospitais se mostra como um dos maiores problemas. Sabe-se que com o avanço da idade o metabolismo tende a diminuir e colocar em risco funções importantes do organismo, aumentando as chances de doenças crônicas como diabetes e hipertensão. Logo, apesar de a maior necessidade de atenção e suporte, de acordo com a Organização Mundial da Saúde o país apresenta um déficit de mais de 28 mil geriatras, o que implica na escassez de profissionais especializados em cuidar dessa população. Sendo assim, a inércia estatal se contrapõe à ideia de Biopoder de Michael Foucault, em que o governo tem a autoridade de conter os problemas sociais, haja vista que os investimentos públicos são insuficientes para suprir as necessidades dessa faixa etária.
Evidencia-se, portanto, que envelhecimento da população requer maior suporte de serviços públicos e previdenciários. Desse modo, urge que o Governo Federal por meio do Ministério da Saúde forneça condições suficientes para esse fenômeno, mediante o aumento de geriatrias e de vagas para especialização dos profissionais, a fim de suprir todas as necessidades desses indivíduos. Ademais, é crucial que o Estado promova uma reforma no sistema previdenciário, por meio do reajuste das aposentadorias de maneira igualitária e sem exceção, no intuito de controlar o saldo e garantir o bem-estar de todos. Assim será possível controlar os impactos e cumprir com a teoria de Biopoder.