Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 02/03/2020
Segundo o Estatuto do Idoso, é obrigação da família, comunidade e do poder público assegurar aos idosos, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, saúde, alimentação, moradia, dignidade, lazer, convivência socioespacial etc. Favorecendo, dessa forma, a inclusão social. Todavia, mesmo diante disso, em um país onde as minorias não são suficientemente assistidas, os impactos do envelhecimento populacional, cada vez maior, são inevitáveis.
É fato que a população brasileira está envelhecendo, dados de 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que até 2060, o percentual de pessoas com mais de 60 anos passará de 9,2% para 25,5%. Sendo assim, torna-se urgente a aplicabilidade do Estatuto do idoso no sentido de garantir direitos que possam melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Com efeito, diante do aumento da demanda por assistencialismo e da crise econômica, essa crescente fatia da sociedade tem sido negligenciada, seja por falta de saúde, de infraestruturas nas cidades- Lazer, esporte, mobilidade, segurança-, impasses com o direito do passe livre etc.
Vale salientar, também, que além das limitações econômicas e de aplicação das leis, os idosos são afetados por uma sociedade individualista, que não favorece a inclusão tecnológica, o convívio social e que não dá valor a sabedoria e a herança sociocultural construída ao logo das gerações. Esse quadro, gera um sentimento de exclusão social tão comum nas relações humanas contemporâneas, tão voláteis, moldadas pelo capitalismo, como bem ilustra a ideia de modernidade líquida de Zigmunt Bauman, em que, segundo ele, “as relações escorrem pelo vão dos dedos”, e que se torna mais grave por atingir uma parcela tão frágil e carente da sociedade.
Fica claro, portanto, a necessidade de enfrentamento dos desafios gerados pelo envelhecimento populacional. Para isso, as prefeituras, por meio das Secretarias de Assistência Social, com recursos financeiros públicos e privados, podem incluir nas pautas de discussões políticas e sociais a aplicação do Estatuto do idoso, com a finalidade de ofertar infraestrutura de saúde continuada, lazer, mobilidade, inclusão digital, ou seja, qualidade de vida. Além disso, é necessário criar um órgão municipal para fiscalizar e punir os casos de desrespeito e omissão aos direitos dos idosos.