Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 01/04/2020

“90 milhões em ação, pra frente Brasil do meu coração” dizia a canção da Copa de 1970, retratando, nesse trecho, o número de habitantes no Brasil, o qual, por sua vez, era 208 milhões em 2018, segundo o IBGE. Isso expressa o alto crescimento demográfico tupiniquim, fruto, principalmente, do aumento da expectativa de vida, isto é, do envelhecimento da população. Nesse cenário, destacam-se como impactos desse fenômeno a insuficiência estatal e a consequente expressão de preconceitos. Desse modo, medidas de combate a tais problemáticas são necessárias.

De início, cabe elucidar que, com a ascensão dos indivíduos em idade avançada, o sistema canarinho de amparo a tais pessoas se configura insuficiente. Sob essa ótica, consoante Gilberto Dimenstein, o Brasil vive uma cidadania de papel, pois as assegurações da Constituição Cidadã não são efetivas na prática. Isso fica claro na deficiência governamental em promover locomoção adequada dos idosos em cidades, o que causa isolamento e descompasso com as atualidades. Em síntese, é nítido que os direitos dos idosos não são garantidos universalmente.

Em função disso, outro efeito do envelhecimento da população é gerado: a manifestação de preconceitos. Nesse viés, segundo Simone Beauvoir no livro “A Velhice”, na sociedade hodierna, os velhos, ao invés de enxergados positivamente por sua maturidade, são vistos negativamente como “pesos”. Isso é sintoma direto da falta de integração supracitada, a qual fomenta a errônea associação entre velho e retrógrado. Dessa forma, essa parcela da população crescente de brasileiros está sujeita a discriminações sociais.

Portanto, observa-se que é preciso oferecer mais cidadania para a melhor idade. Por conseguinte, é imperioso que o Ministério Público atue na consolidação do Estatuto do Idoso, por meio do investimento na fiscalização das práticas desse estatuto nos municípios, a fim de garantir os direitos essenciais desses indivíduos em questão e, consequentemente, sua inclusão na sociedade, para favorecer a diluição de preconceitos. Assim, o envelhecimento populacional não será mais problemático.