Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 08/05/2020

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil atualmente vive um processo de transição demográfica. Tal processo é caracterizado pelo envelhecimento progressivo de sua população, em decorrência de fatores como o avanço da medicina e a queda das taxas de natalidade e fecundidade. Embora seja possível vislumbrar inúmeros aspectos positivos, como o aumento da expectativa de vida do brasileiro, é inegável que o aumento proporcional da população idosa impacta em diversos setores da sociedade, incluindo a saúde pública e a economia.

O Estatuto do Idoso prevê que não deve haver qualquer tipo de discriminação por idade no momento da contratação de um profissional. Na prática, entretanto, tal realidade não se verifica, visto que a população idosa é constantemente preterida no mercado de trabalho. Como consequência, há a concentração da população economicamente ativa na parcela mais jovem da sociedade. Encontrando-se esta última numericamente em declínio, há impacto direto na economia. Exemplo disto é a Reforma da Previdência, recentemente sancionada, antevendo que num futuro muito próximo o Brasil teria mais beneficiários do que contribuintes, o que geraria um rombo nos cofres públicos.

A nova realidade demográfica e epidemiológica do Brasil gera também forte impacto na saúde pública. Os avanços na medicina, como a descoberta de vacinas e antibióticos, possibilitou a redução do número de mortes por doenças infecciosas, alterando o perfil de morbimortalidade para as ditas doenças crônicas não transmissíveis, tais como diabetes e hipertensão. Como a maioria dos portadores de tais comorbidades são idosos que, muitas vezes, convivem com elas até o fim de suas vidas, os profissionais de saúde passam a não ter apenas que acompanhar regularmente a evolução da doença, mas, principalmente, focar na promoção de ações educativas e de incentivo ao bem estar físico e psicológico desta  população, como, por exemplo, alimentação saudável e prática de exercícios físicos.

É imperioso, portanto, que sejam implementadas políticas públicas que se adequem à nova realidade brasileira, priorizando a promoção, prevenção e o diagnóstico precoce de doenças relacionadas à população idosa, a exemplo do que foi feito em países como Chile e Holanda. Além disso, faz-se necessária a criação de mecanismos de inclusão do idoso no mercado de trabalho, a exemplo da isenção de impostos para empresas que cumpram metas para contratação de idosos em seu quadro de funcionários. Somente assim, o envelhecimento ativo e saudável desta população poderá ser garantido.