Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 22/05/2020

“Não há nada mais duro que a suavidade da indiferença”. A afirmativa do escritor equatoriano Ivan Moltavo pode ser facilmente aplicada ao contexto do envelhecimento da população brasileira, uma vez que mais estarrecedor que essa conjuntura, é a passividade da população diante disso. Essa situação advém claramente das condutas excludentes no pensamento coletivo. Assim, entre os fatores que consolidam esse panorama destacam-se, a negligência estatal, juntamente com a baixa promoção de saúde na terceira idade.

Dessa forma, a indiferença do Estado associada a desvalorização dos idosos, solidifica o cenário dos impactos do envelhecimento da população brasileira. Isso ocorre porque o Governo que objetiva o bem próprio, deixa de oferecer os cuidados necessários aos idosos, fortalecendo a concepção de que existe uma hierarquia de geração que internaliza uma ideia pouco questionada pela sociedade. Essa conjuntura está em paralelo com pensamento de Gilberto Dimenstein, em seu livro “cidadão de papel” no qual demonstra que as leis estão somente nos papéis, pois não são devidamente praticadas, portanto, percebe-se que a legislação da Carta Magna – artigo quinto– não está sendo exercida, corroborando para manutenção dessas condutas individualistas.

Além disso, a baixa qualidade de vida, aliada ao comportamento excludente do coletivo, alicerça o cenário dos impactos do envelhecimento da população brasileira. É incontestável que esse quadro advém da falta de socialização do indivíduo na terceira idade que ocasiona problemas emocionais e psicológicos, uma vez que o tecido social rejeita tal grupo, tornando-os marginalizados. Esse panorama vai de encontro aos moldes da definição sobre saúde da OMS para qual, “conjunto de fatores psicólogos, sociais e não somente ausência de enfermidades”, já que a desvalorização aprofundará, ainda mais, o abismo da qualidade de vida dos idosos.

Diante do exposto, é necessário que o poder público reconheça que os comportamentos excludentes da população é um entrave para o combate aos impactos do envelhecimento sociedade brasileira. Logo, o Governo Federal deve propor ao Congresso a criação de um Programa Nacional do Idoso. Esse programa , deve exigir a alteração por meio de leis, da Base Comum Curricular aulas para o ensino fundamental e médio, a fim de promover o interesse e criticidade dos discentes sobre tal temática. Ademais, é vital que esse programa crie um Funda de Investimento Nacional juntamente com ajuda de grandes empresas e mídia que patrocine campanhas audiovisuais para esses indivíduos marginalizados. Somente assim, será possível combater a indiferença do tecido social como descrito pelo escritor equatoriano Ivan Moltavo.