Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 09/11/2020
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a proporção de idosos na população brasileira deverá ultrapassar a de crianças e adolescentes a partir de 2040. O envelhecimento dos brasileiros é uma tendência irreversível que continuará nas próximas décadas. Portanto, são necessárias políticas que lidem com o impacto na saúde pública e na previdência social por consequência desse evento.
Em primeiro lugar, o sistema de saúde privado e público no Brasil se baseiam no mutualismo, ou seja, uma diluição de riscos entre um grupo de pessoas. Por exemplo, as pessoas mais jovens tem uma menor probabilidade de internação prolongada do que os mais velhos, entretanto para conseguir bancar os custos médicos dos idosos a conta é dividida nos diversos planos da família, ou no caso do sistema público por meio da arrecadação de impostos. Desse modo, com o envelhecimento populacional, haverá um aumento de gastos que não poderá ser redistribuído, como resultado o sistema corre o risco de entrar em colapso se nada for feito.
Similarmente, a previdência social pública é financiada pela força de trabalho vigente, porém com o crescimento da população idosa não haverá pessoas o suficiente para bancar estes gastos. A crise do COVID-19 de 2020 foi de extrema importância para evidenciar a enorme dívida brasileira, e a Reforma da Previdência de 2019 foi uma tentativa para resolver o problema. Contudo, essas medidas criam um novo tipo de empecilho que é a distribuição desigual de renda, logo são necessárias políticas públicas que contenham os gastos mas também priorizem o bem-estar da população em longo prazo.
Em síntese, o crescimento da população idosa no país é inevitável, sendo assim precisamos de medidas que amenizem o impacto mas que simultaneamente se encarreguem de cuidar dos mais velhos. Dessa forma, o Ministério da Saúde em parceria com os governos estaduais, deve criar um auxílio emergencial para bancar os custos de saúde da população idosa, por meio de redirecionamento de gastos e planejamentos orçamentários, com o objetivo de bancar parte dos gastos de tratamentos prolongados que demandam internação. Similarmente, o Ministério da Economia em parceria com o Ministério da Educação, deve educar a população sobre uma vida financeira saudável, por meio de vídeos e campanhas em redes sociais, com o intuito de alertar o povo sobre a necessidade de uma poupança ou de investimentos de longo prazo para estimular o capital financeiro do país e retirar a dependência extrema da previdência social como única fonte de renda na velhice.