Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 16/11/2020

A partir do desenvolvimento de reformas sanitárias, implantação de saneamento básico e da vacina em 1904, a população brasileira começou a vivenciar o aumento de sua expectativa de vida. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), idoso é todo indivíduo com 60 anos ou mais. Atualmente, segundo previsões do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – a população idosa cresce cerca de 26% a cada seis anos, no território brasileiro. Tal fator implica em maior necessidade de investimentos no setor de saúde como, também, a intensificação de gastos com a previdência. Nesse contexto, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude dos impactos do envelhecimento da população brasileira.

Em primeiro plano, é preciso atentar que essa nova tendência de modelo etário, característico dessa geração, pode ocasionar a saturação do Sistema Único de Saúde (SUS) e se tornar um fator determinante na persistência desse impasse. Segundo a publicação do IBGE em 2018, no Brasil a população idosa já supera 12% da população total e caminha para se tornar um país de maioria idosa até 2030. No entanto, a expansão desse público pode trazer consigo o fortalecimento de problemas como o acesso e a qualidade eficaz dos serviços de saúde já que tendem a utilizar mais esse serviço.

Além disso, o filme “Um Senhor Estagiário”, exibido na plataforma Netflix, narra a história de um senhor que demonstra como conseguir um emprego pode ser algo desafiador quando se tem uma idade considerada mais avançada. Essa situação transpassa o cenário fictício e se faz presente, também, no cotidiano brasileiro onde muitos idosos encontram dificuldade de reinserção no mercado de trabalho, seja tanto pelo preconceito, ou pela falta de credibilidade para desenvolverem sua autonomia. Assim, a grande maioria fica dependente exclusivamente da previdência social, oferecida pelo Estado, e por consequência intensifica os gastos dos cofres públicos.

Depreende-se, portanto, a necessidade de medidas estratégicas para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, cabe ao Ministério Público em consonância com o Poder Legislativo, a elaboração de um espécie de “cotas” para a população idosa no mercado de Trabalho, com o objetivo de garantir sua reinserção e inclusão no cotidiano, quando considerarem possível e necessário. Assim, será possível, a longo prazo, o maior bem-estar dos idosos que terão maiores condições de acesso a uma vida mais saudável, por meio de sua maior renda, para usufruírem de medicamentos e alimentos de qualidade aliviando, a partir disso, a saturação dos hospitais e cofres públicos.