Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 17/09/2020
Um indivíduo em desespero, ao passo que, em seu entorno, personagens mostram-se apáticos a esse sofrimento. É isso o que se observa no quadro “O grito”, do pintor Edvard Munch. Contudo, essa indiferença frente aos problemas alheios não se limita à obra expressionista, já que, no Brasil, aqueles que têm sofrido com os impactos do envelhecimento da população têm sido negligenciados por determinados setores da sociedade. Nesse prisma, é importante analisar essa questão no país.
De início, pontua-se que o Poder Público revela-se omisso ao não prevenir os impactos do envelhecimento do brasileiros. Isso porque existe uma deficiência no processo de investimento financeiro na garantia de uma boa qualidade de vida aos idosos, uma vez que faltam verbas para ampliar, por exemplo, a contratação de profissionais da área de saúde. Isso pode sobrecarregar, a longo prazo, o sistema público de saúde (SUS), tendo em vista que, segundo relatórios da ONU, a população, à medida que envelhece, tende a necessitar de maiores cuidados médicos. Vê-se, então, que o Estado não tem assegurado o bem-estar de toda a coletividade, demonstrando um desrespeito aos princípios previstos na Constituição Federal de 1988.
Ademais, enfatiza-se que aceitar os impactos do envelhecimento populacional é banalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem apresentado uma certa resignação diante da baixa assistência governamental, visto que falta ampliar os auxílios previdenciários, o que pode comprometer as necessidades básicas, como alimentação e moradia adequadas, e a qualidade de vida da população idosa, levando em conta que esta se encontra em situação de dependência social. Constata-se, assim, que a naturalização dessa problemática corrobora os estudos da filósofa Hannah Arendt, posto que, segundo ela, a massificação social exerce influência sobre os indivíduos, fazendo com que percam a capacidade de distinguir o que é ou não aceitável.
Infere-se, portanto, que os impactos do envelhecimento populacional devem ser superados. Logo, é necessário que o Estado, via atuações do Poder Executivo, invista financeiramente no SUS, por meio da disponibilização de verbas para ampliar a contratação de profissionais da área de saúde, assim como os equipamentos para a realização de exames de rotina, a fim de prevenir a sobrecarga desse sistema público. Além disso, é fundamental que organizações não governamentais, por meio da realização de campanhas midiáticas, sensibilizem a população sobre a importância de não se manter inerte diante dessa problemática, potencializando, com isso, a mobilização coletiva em prol de uma maior assistência estatal aos idosos, com o intuito de ampliar os benefícios previdenciários e garantir, consequentemente, melhorias na qualidade de vida desses.