Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 16/12/2020

É comum ver em filmes, a figura de um ancião temido e admirado - o idoso, em tais casos, é tido como suprassumo da sabedoria e experiência. Entretanto, o Brasil de hoje parece respeitar pouco os mais velhos. Nesse sentido, o país enfrenta um dilema: com o crescente número desse segmento populacional, a nação deve preparar-se à nova realidade, não sem antes compreender que os idosos têm direitos.

Precipuamente, os idosos são cidadãos. Em outras palavras, o Estatuto do Idoso garante-lhes, dentre outros, a proibição de discriminação por idade no ambiente de trabalho, a gratuidade nos transportes coletivos e o atendimento preferencial no SUS (Sistema Único de Saúde). Logicamente, isso faz-se necessário dados os diversos níveis de vulnerabilidade daqueles com mais de 65 anos. Afinal, em tal época da vida, a saúde é frágil e os empregos, quando somados à constante modernização do mercado de trabalho, escassos - qualidades antagônicas ao pleno exercício cidadão do indivíduo, o qual deve estar são e, dignamente, sustentável de forma autônoma. Portanto, áreas como Previdência e Saúde - pilares da cidadania idosa - devem ser tidas como investimento e, acima de tudo, como retribuição àqueles que já ajudaram o país. Falivelmente, governantes que neguem tal máxima ignoram o fato de que a juventude não é efêmera. Em contraste, o caráter perdura.

Dito isso, o Brasil precisa programar-se ao futuro, no qual, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia), quase vinte milhões terão, ao menos, oitenta anos em quatro décadas. Em contexto, o presente demonstra uma precarização do trabalho que, somada à Reforma da Previdência - amplamente criticada por intelectuais, como Jessé Souza e Ricardo Antunes -, pode gerar longevos de raso sustento. Ademais, instituições de acolhimento senil não apresentam um padrão de cuidados, já que somente 20% delas são geridas pelo poder público, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social, o que dificulta o cumprimento de metas pelos governos. Inaceitavelmente, o Demografia Médica Brasil (DMC) aponta que, no território, há vinte vezes menos geriatras que o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Assim, o Brasil não acompanha a própria demografia, mesmo que a desídia estatal conclua em uma nação pobre, doente e indigna - miserável.

Em suma, a República possui tendência de alta na população senil e deve programar-se em consonância à cidadania do estrato. Urgentemente, os Ministérios da Saúde, Economia e Cidadania, por meio de leis e programas governamentais, devem integrar-se na elaboração de um plano à questão, como a garantia de aumento do piso previdenciário e o incentivo à especialização geriátrica, para privar os brasileiros do caos social. Só assim, jovens também serão, como nas telas, sábios.