Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 08/10/2020

A Declaração dos Direitos do Cidadão fornece que o Estado deve assegurar direitos, como a educação, a saúde, entre outros, para todos os indivíduos presentes na sociedade. Paradoxalmente, no cenário atual, há o descumprimento dessas normas, pois os órgãos públicos não apresentam planejamentos para a melhoria da qualidade de vida dos idosos no país. Desse modo, o aumento do número de idosos no país intensifica os processos de desigualdade e a consequente exclusão social, por não haver condições apropriadas para o bem-estar destes.

Em primeira análise, a ausência de medidas estatais, como a criação de centros esportivos para idosos, de auxílios à medicamentos, entre outros, intensifica os baixos índices de qualidade de vida no Brasil. Nessa ótica, a baixa qualidade de vida promove a menor entrada de trabalhadores estrangeiros qualificados no mercado nacional e a consequente desvalorização da economia brasileira, segundo pesquisas feitas em 2019 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas. Assim, a falta de base estrutural para melhorias no bem-estar social impulsiona a desaceleração econômica por não haver incentivos para atrair mão de obra qualificada e para desenvolver a produção laborial dos trabalhadores que já estão no mercado nacional.

Em segunda instância, segundo o ideal africano “Ubuntu”, que expressa a formação do conceito de cidadania por meio da empatia e do respeito social, a nação brasileira prioriza o viés individualista em detrimento da ética, pois o Estado não fornece propostas eficientes para a inclusão da população idosa. Nessa conjuntura, Os bancos da Caixa Econômica Federal apresentam filas aglomeradas, em grande parte ocupadas por pessoas da terceira idade, durante a pandemia do coronavírus, segundo o apresentado em setembro de 2020 pelo noticiário Jornal Nacional. Por conseguinte, o descaso estatal com os direitos cívicos de pessoas acima dos 65 anos promove a desigualdade social no Brasil.

Portanto, é mister a criação de políticas públicas para sanar a exclusão social de indivíduos idosos no país. Então, o Ministério da Cidadania, em conjunto com as prefeituras, deve propôr a redução de impostos às empresas privadas que ajudassem financeiramente na construção de centros esportivos para idosos e o fornecimento de palestras sócio-educativas, apresentadas por professores, em redes de ensino público para conscientizar sobre os direitos de equidade da população idosa. De acordo com o educador Paulo Freire, a educação é a proposta mais eficiente para gerar transformações sociais, logo, o país deve priorizar os investimentos nas bases educacionais para informar os indivíduos sobre os direitos cívicos da população mais longeva.