Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 05/11/2020
Na obra “A Ilha”, Aldous Huxley descreve uma civilização idealizada, na qual há o funcionamento do ordenamento político e social. Dessa forma, os seus habitantes desfrutam de a felicidade de forma plena. No entanto, ao analisar a questão do impacto do envelhecimento da população no Brasil, nota-se uma sociedade distante do cenário exposto por Huxley, pois observa-se não só uma economia de mercado, como também um Estado que não preconizam o bem-estar do idoso.
A princípio, de acordo com o filósofo Michel Foucault, a sociedade de mercado só considera o ser humano útil quando esse está produzindo. Sob tal prisma, analisa- se que no modelo de economia capitalista o homem sofre o processo de mecanização, uma vez que a partir do momento em que esse ser não está mais produzindo, isto é, não está inserido no mercado de trabalho, torna-se dispensável para essa civilização. Assim, quando se observa o aumento da longevidade da população brasileira, percebe-se o desconforto que gera para tal sistema, dado que o idoso, em sua maioria, não está incluso nesse processo de produção. Consoante a isso, em uma conjuntura, a qual o valor da vida é reduzido ao de uma máquina, o envelhecer converte-se em uma problemática.
Ademais, segundo o filósofo Henrique de Lima, a sociedade se assenta no enigma de uma civilização tão avançada em suas razões teóricas e, por sua vez, tão primitiva em suas razões éticas. Nesse sentido, verifica-se a postura do Estado em relação ao idoso, haja vista que apesar do Governo fomentar leis que buscam satisfazer a necessidade dessa parcela da população, como o Estatuto do Idoso, o próprio é omisso na execução de tais regulamentos. Como se observa na escassez de programas culturais voltados para à terceira idade e na falta de infraestrutura das cidades para essa faixa etária. Dessarte, um Estado que negligência a ética em suas ações permite que o aumento da expectativa de vida da sua sociedade não seja acompanhado com melhorias sociais.
Logo, é mister que o Governo mude esse quadro. Para tanto, cabe a esse órgão traçar políticas publicas que valorizam o envelhecimento da população. Nesse viés tais programas, mediante repasse de verbas governamentais, fomentará programas culturais direcionados à terceira idade, como teatros e espaços recreativos para dança, como também infraestruturas que possibilitem a locomoção segura do idoso na cidades, a fim de que, assim, com a legitimação dos direitos haja uma conscientização social de que a importância do ser humano não se reduz apenas ao processo de produção. Em vista disso, tais posturas sociais conseguirá reverberar a civilização de Huxley.