Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 06/11/2020
Segundo o Artigo 3° do Estatuto do Idoso, é obrigação da família e do Poder Público assegurar o direito à vida e à saúde do idoso, dentre outros direitos. Entretanto, o crescente envelhecimento da população brasileira acarreta diversos impactos na sociedade e, inclusive, na própria qualidade de vida dos anciões, pois, com a diminuição da taxa de natalidade, ocorre também a redução da população economicamente ativa (PEA), gerando problemas econômicos e, ainda, sociais, devido a um inchaço na saúde pública e aumento das despesas nos planos de saúde.
A priori, o envelhecimento da população afeta o setor econômico e tem relação direta com a qualidade de vida da comunidade idosa. Tal fato é associado à redução da PEA, modificando, significativamente, o panorama etário do país, que resultará em implicações com as contribuições e com os benefícios aos idosos. Assim, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a partir de 2039, cerca de um a cada quatro brasileiros terá mais de 65 anos, tendo mais idosos que crianças no país. Isso demonstra, portanto, que se não houver a devida reforma da previdência, futuramente, haverá mão de obra em falta e mais cara, ocasionando a diminuição dos impostos e, consequentemente, a redução dos benefícios previdenciários, que afetará a qualidade de vida do idoso.
Além disso, outro aspecto a ser abordado é que, com a senescência, é inegável o aumento com os gastos na saúde. Destarte, o aumento das despesas nos planos de saúde ocorre porque eles funcionam com base no mutualismo, em que os mais jovens arcam com parte dos gastos dos mais velhos. Dessa maneira, com o aumento da população idosa e da diminuição da jovem, acarretará em maiores custos para os planos. Ademais, na questão da saúde pública, a terceira idade necessita de mais atenção e assistência, além dos gastos com medicamentos e, assim, sem o devido investimento, as projeções do crescimento acelerado dos anciões, apontadas pelo IBGE, afetarão na qualidade dos atendimentos, visto que demandam mais tempo e dinheiro.
Portanto, a falta do devido investimento nos sistemas de saúde para a população idosa representa uma ameaça concreta, não apenas aos indivíduos diretamente envolvidos, como a todos os cidadãos que, indiretamente, também figuram como vítimas de seu legado. Nesse sentido, o Ministério da Saúde deve melhorar o setor de atendimento aos anciões, por meio da criação e desenvolvimento de políticas públicas voltadas para a saúde, além do investimento no sistema, para que ocorra a devida assistência à população idosa. Espera-se, com isso, que o direito à saúde e à vida, garantido pela Constituição Federal e pelo Estatuto do Idoso, seja plenamente conquistado por seus cidadãos.