Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 11/11/2020

No Brasil, o bônus demográfico favoreceu o crescimento da economia na última década e contribuiu para  o aumento do PIB ao longo dos anos. Entretanto, estimativas apontam que até 2080 isso não acontecerá mais, prejudicando o crescimento econômico do país e afetando o sistema previdenciário devido a baixa taxa de natalidade e a alta expectativa de vida da população. Dessa maneira, dois aspectos fazem-se relevantes: a influência da qualidade de vida na transição demográfica e as dificuldades do novo cenário econômico brasileiro.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018, a expectativa de vida do brasileiro era, em média, de 76,3 anos. Tal número se deve aos avanços médicos que possibilitaram o tratamento de doenças preexistentes na população, a criação de vacinas e antibióticos e as melhores condições de higiene presentes no dia-a-dia, tal como o acesso a saneamento básico e tratamento de água, por exemplo. Além disso, a conscientização sobre  a importância da alimentação saudável alinhada a prática de exercícios físicos contribuiu para que adultos e idosos aumentassem sua qualidade de vida, controlando o surgimento de enfermidades e melhorando, além da saúde física, a saúde mental. Em contraposição, observa-se que a taxa de natalidade vem diminuindo ao longo dos anos, fato que está ligado a criação de métodos contraceptivos e a inserção das mulheres no mercado de trabalho, que optam por fazer um planejamento familiar e controlar o número de filhos.

Outrossim, segundo o Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), a atual transição demográfica no Brasil propicia um cenário no qual as baixas taxas de natalidade e mortalidade afetam diretamente a economia do país. A diminuição do número de nascimentos faz com o número de trabalhadores ativos no mercado de trabalho diminua ao longo dos anos, fator que contribui para uma menor produtividade e menor arrecadação de tributos do governo, que não será capaz de custear todas as aposentadorias da população idosa, pois terá recursos cada vez mais limitados. Além disso, o envelhecimento da população acometerá maiores gastos com a saúde pública, pois, devido a fragilidade imposta pela idade avançada dos cidadãos, será necessária maior atenção as necessidades dos idosos.

Diante dos argumentos supracitados, é dever do Estado investir em estímulos educacionais e profissionais, tais como o acesso a cursos profissionalizantes e a formação superior, a fim de formar jovens e adultos mais capacitadas para seus cargos, melhorar a produtividade do colaborador e incentivar a economia do país nos próximos anos. Além disso, deve-se haver investimento na área da saúde com o intuito de promover melhor atendimento à população idosa, além de melhor fiscalização dos recursos destinados ao Sistema de Saúde, para que não haja fraudes ou desvios de verba.