Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 11/12/2020

Segundo o escritor Gilberto Dimenstein, “A cidadania é garantida por lei dos seres humanos nascerem livres e iguais em dignidade e direitos”. Todavia, a sua obra “Cidadãos de papel” retrata um indivíduo que possui direitos básicos apenas na legislação, uma vez que o personagem não usufrui de liberdades positivas. Sob tal perspectiva, a uniformização da sociedade em cidadãos de papel assemelha-se ao protagonista da composição nacional, visto que o governo não tem um preparo adequado para lidar com o envelhecimento da população e a garantia de seus direitos devido à taxa de fecundidade e ao avanço da medicina. Logo, urge a necessidade de medidas para mitigar a problemática.

Primeiramente,  após o fim da Segunda Guerra Mundial o Brasil e o mundo testemunharam um gradual avanço na área da medicina, que aliado ao controle de natalidade devido ao surgimento de métodos contraceptivos, promoveu aumento da expectativa de vida e impulsionou o crescimento  populacional, o chamado “Baby Boom”. Nesse sentido, o envelhecimento da população ocorreu de forma rápida, não conferindo tempo suficiente para preparação de mudanças futuras. À vista disso, a reduzida taxa da População Economicamente Ativa (PEA) corrobora para a controversa, dado que há baixa oferta de funções no mercado de trabalho para tal setor social. Assim, essa situação motiva o crescimento de pedidos de aposentadoria ao Governo, o que desequilibra os gastos e a arrecadação nesse âmbito.

Por conseguinte, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, em sua obra “O Leviatã”, o Estado é a instituição responsável por garantir a fluidez e a harmonia entre a coletividade. Entretanto, observa-se que tal assertiva não é colocada em prática. Desse modo, conforme exposto no jornal “Gazeta do Povo”, a falta de investimentos nas várias esferas sociais, como, por exemplo,  saúde, educação, segurança e lazer intensificam o número de protestos, devido ao fato de se sentirem desamparados pelo poder cuja função seria desprotegê-los. Destarte, tal movimento se assemelha as manifestações contra a reforma da previdência, dado que o Governo não proporciona, de maneira igualitária e justa, esse direito constitucional, assim, como no livro de Gilberto Dimenstein.

Portanto, medidas são necessárias para mitigar a problemática. Para tanto, cabe ao Estado desenvolver políticas públicas de saúde preventiva para os idosos, através de palestras, oficinas e consultas com profissionais especializados para traçar o perfil do cidadão e auxiliar na promoção e melhora da qualidade de vida. Além disso, é preciso que haja incentivos fiscais para empresas que contratem idosos inativos no mercado de trabalho. Desse modo, será possível reduzir o deficit no setor previdenciário e a reduzida mão de obra.