Impactos do envelhecimento da população brasileira
Enviada em 11/12/2020
No Brasil, a observação do envelhecimento populacional é assunto de preocupação comunitária e governamental. A inversão da pirâmide etária brasileira implicará em profundos impactos, principalmente econômicos e sociais, e exige estudo e preparação da sociedade.
De acordo com a Projeção de População, publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a porcentagem da população de idosos no Brasil tende a dobrar nas próximas décadas. Esse cenário é o resultado da diminuição da taxa de natalidade somada ao aumento da expectativa de vida no país. Como conseqüência desse cenário, pode-se mencionar um grande aumento do número de pessoas aposentadas, sem atividades profissionais e com pouco convívio social. Essas pessoas podem acabar se sentindo ociosas e excluídas da sociedade e desenvolverem quadros depressivos. Outro aspecto diz respeito à questão financeira desses idosos, que muitas vezes têm seu custo de vida aumentado pelo uso de medicamentos e pelo encarecimento dos planos de saúde privados, ao mesmo tempo em que têm a sua renda diminuída após encerrarem a vida profissional.
Nesse contexto, nota-se, também, os importantes impactos em âmbito nacional causados pelo aumento da proporção demográfica de idosos no Brasil. Como consequência, pode-se citar o crescimento da relação de dependência, que é entendida como a razão entre a população dependente, ou seja, crianças e idosos, pela população economicamente ativa. Como reflexo disso, ressaltam-se o encarecimento da mão de obra no país, devido a sua escassez, e a diminuição da renda per capta, uma vez que ocorrerá redução da população geradora de renda. Associado a isso, cabe mencionar o crescimento dos gastos previdenciários e uma maior demanda por investimentos em saúde pública.
Desse modo, torna-se imprescindível uma associação de esforços para a minimização dos impactos do envelhecimento da população, tanto no âmbito social como no econômico. No que tange à proteção da saúde e qualidade de vida dos idosos, cabe ao poder público estudar medidas de preparação dessas pessoas para a aposentadoria. Como exemplo, pode-se citar a realização de campanhas sobre educação financeira, que os ensine a se planejarem economicamente para essa fase, assim como orientações sobre prevenção em saúde na terceira idade. Associado a isso, cabe ao Ministério do Trabalho e ao poder legislativo um debate acerca da possibilidade da adequação do ordenamento brasileiro para que possibilite a criação de vagas de emprego adaptadas à realidade das pessoas acima de 60 anos, com funções que não demandem força física e com uma carga de horária reduzida, por exemplo. Como conseqüência, o idoso poderá permanecer ativo por mais anos, bem como manter seu convívio social e sua saúde mental.