Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 30/08/2021

Nas sociedades primitivas, como também em outras culturas, por exemplo a japonesa, o idoso é considerado como um “Guardião de memórias”, um ser respeitado e valorizado. Entretanto, na atual sociedade brasileira, o idoso vive em um contexto de preconceito, escassez de serviços adequados e isolamento. Dessa forma, políticas públicas efetivas são de extrema importância para garantir um envelhecimento saudável e digno a todos.

Sob esse viés, é válido ressaltar que sob uma ótica do capitalismo, os idosos sofrem preconceitos e são considerados estorvos. Nesse sentido, o conto “O grande passeio”, de Clarice Lispector narra a história de uma idosa, Mocinha, que está sempre na casa de um, na casa de outro, revelando a rejeição, a solidão, e a sensação de incômodo nos demais. Fora de ficção, ao analisar a sociedade vigente, os anciões são invalidados, na maioria das vezes, por não trabalhar e gerar renda para a sociedade, assim esses idosos são como “Mocinhas”, sofrendo exclusão, preconceito, e a falta de protagonismo em sua vida. Dessa forma, a visão equivocada para com esses cidadãos, resulta em tristeza, solidão, sentimento de não pertencimento, bem como a falta de uma cidadania plena.

Outrossim, diante do cenário da falta de políticas públicas voltadas para inserção do idoso, o processo de envelhecimento se torna mais árduo e doloroso. Em vista disso, o filme “O estagiário”, relata a história de um viúvo aposentado, Ben, que tenta voltar ao mercado de trabalho, mas durante o processo encontra dificuldade de aceitação de seus colegas e chefes. Portanto, diferentemente das sociedades primitivas que enxergavam os mais velhos como sábios, assim como, no filme, a sociedade contemporânea vê esses indivíduos como ultrapassados e incapazes. Assim, o que seria a interação harmoniosa e construtiva entre jovens e idosos, se não um paliativo para a diminuição do preconceito e aumento das possibilidades de uma vida confortável no mundo moderno?

Faz-se necessário, portanto, que o Ministério da Educação, juntamente com as escolas, promova, por meio de palestras, discussões o desenvolvimento do respeito e da valorização da sabedoria dos mais velhos, a fim de proporcionar a eles um envelhecimento saudável e livre de preconceitos e exclusão, diminuindo, assim a quantidade de “Mocinhas” no Brasil. Como também, incentivar a interação harmoniosa e de ensinamentos entre jovens e anciões e tornando a vivência do mundo moderno digna.