Impactos do envelhecimento da população brasileira

Enviada em 21/12/2021

A tendência no aumento da expectativa de vida dos brasileiros cristalizou-se em uma recente pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, pois os idosos somam, hodiernamente, acima de vinte milhões, mais que o dobro da década passada. Dessa forma, os impactos do envelhecimento da população brasileira são grandes e extremamente relevantes. Por isso, cabe analisar a situação atual e os desafios a serem enfrentados para que o desenlace dessa realidade seja sempre benéfico.

Nesse sentido, instrumentos jurídicos foram criados para a proteção do envelhecimento com dignidade. Primeiramente, em âmbito mundial, a Organização das Nações Unidas, em 1991, promulgou a Carta de Princípios para Pessoas Idosas. Essa legislação visava promoção da independência, da participação, da assistência e da autorealização dos idosos. Já no Brasil, o Estatuto do Idoso de 2003 aprimorou a Política Nacional do Idoso (Lei 8842) de 1994. Nesse contexto, apesar do processo de envelhecimento brasileiro ser fruto de uma série avanços sociais, o país não está preparado basilarmente com relação a temas como o abandono, exclusão e discriminação da população senil, que afetam rigorosamente o Brasil. Desse modo, é imperioso superar esses obstáculos.

Ademais, é importante destacar que o envelhecimento salutar é assegurado constitucionalmente a todos brasileiros. Nesse viés, é pertinente trazer o discurso do escritor Gilberto Dimenstein, de seu livro “Cidadão de Papel”, no qual ele conceitua os cidadãos de papel - indivíduos cujos direitos não são garantidos na prática. Assim, depreende-se que o tratamento precário oferecido aos idosos pelo Estado abalam diretamente e negativamente a sociedade, tal como a superlotação de hospitais por não ter havido um prévio acompanhamento médico adequado das doenças crônicas, que atingem, mormente, essa parcela do corpo social. Paralelamente, o Estado precisa elevar os gastos em saúde e  verbas que poderiam ser utilizadas na educação são desperdiçadas, e isso gera danos catastróficos para a economia brasileira.  Logo, urge a reversão de ciclos nefastos como esse.

Destarte, é mister minimizar os impactos negativos causados pelo envelhecimento da população brasileira. Para isso, o Ministério da Cidadania deve aperfeiçoar as políticas públicas de inclusão social e profissional de idosos, por meio de convênio com as associações de bairros para promover atividades produtivas direcionadas ao grupo em questão. Além disso, o Ministério da Saúde deve ofertar atendimento em centros especializados, por intermédio de geriatras que acompanharão esses indivíduos como médico da família, sobretudo em comunidades carentes. Só assim, o aumento da expectativa de vida dos brasileiros terá apenas aspectos positivos para serem relatados e ampliados. Por fim, o envelhecimento impactará estruturalmente em uma sociedade realmente democrática.