Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 06/08/2020
Isolamento social e a vulnerabilidade da pessoa idosa
A emergência do novo coronavírus provocou uma rápida e forçada reestruturação da vida em sociedade. Em poucas semanas, termos como “pandemia”, “quarentena”, “novo normal” e “Sars-Cov-2” se popularizaram, obrigando a população a se adaptar à nova realidade. Nesse contexto, muitos trabalhadores passaram a fazer “home office”, enquanto estudantes aderiram ao ensino remoto. Entretanto, entre todos os seguimentos sociais, os idosos parecem ter sido o grupo mais afetado, por serem particularmente vulneráveis, tanto no aspecto físico quanto no mental.
Em primeiro plano, cabe destacar que idosos representam o principal grupo de risco para contrair a forma mais grave de Covid-19. Não por acaso, a Itália, que tem a população mais velha da Europa, segundo o Escritório de Estatísticas da União Europeia, foi um dos países mais afetados pela pandemia. Dessa forma, a população na terceira idade precisa enfrentar uma quarentena ainda mais rigorosa e lidar, mais do que ninguém, com o medo da morte.
Além disso, a falta de contato social e interação familiar torna os indivíduos mais propensos a distúrbios mentais. Tal impacto foi mensurado em uma pesquisa realizada pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, que apontou um aumento de cerca de 50% dos casos de depressão nesse período. O perigo é ainda maior na população idosa, já especialmente propensa à doença, devido à solidão e à perda de seu papel social, com a aposentadoria.
Torna-se evidente, portanto, que, se o isolamento social é necessário, o sofrimento pode ser evitado – ou, ao menos, amenizado. Nesse sentido, o Ministério da Saúde deveria promover uma campanha para idosos e suas famílias, sobre qualidade de vida durante a pandemia. Isso seria possível por meio de dicas e orientações sobre a rotina na quarentena, com informações sobre alimentação, exercícios físicos e atividades de lazer, a serem divulgadas na televisão e nas redes sociais na internet, de forma a atingir as diversas faixas etárias. Afinal, com a adesão das famílias, talvez seja possível tornar a realidade dos idosos um pouco menos angustiante nesta pandemia.