Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 07/08/2020

Um estudo divulgado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no ano de 2018, revelou que os transtornos mentais atingem cerca de 29,7% e dos idosos. Este dado alarmante, infelizmente, está sendo atenuado com o isolamento social, provocado pela pandemia do coronavírus, no qual, muitos idosos têm tido a sua autonomia, independência, segurança, dignidade, bem-estar e saúde comprometida. Nesse sentido, indubitavelmente, tal conjuntura advém da inoperância estatal em promover acompanhamento médico a este público, além da negligência familiar. Portanto, urge que medidas sejam tomadas afim de sanar esse imbroglio na sociedade.

A princípio, destaca-se o descaso do Estado como agravante desse problema. Sob esse viés, um levantamento do Núcleo de Estudos em Saúde Pública e Envelhecimento da Fundação Oswaldo Cruz demonstrou que, de 1997 a 2012, o consumo de antidepressivos entre os idosos passou de 8,3% para 23,6%. Nessa perspectiva, nota-se, o desleixo governamental em planejar uma medicina preventiva, falta de suporte social e de acesso aos serviços de saúde, sendo um cenário que pode ser agravado com o distanciamento coletivo, visto que, a população idosa é altamente dependente do serviço público que no momento se encontra em superlotação.

Outrossim, o desmazelo, violência psicológica, abuso financeiro e econômico estão entre os tipos de violência mais praticados contra as pessoas idosas no Brasil. Segundo a secretaria nacional de promoção e defesa dos direitos da pessoa idosa, oriundos do Disque 100, apontam que em maio de 2020 foram registradas quase 17 mil . Dessa maneira, a pandemia evidencia a fragilidade da população idosa, que são grupos culturalmente relegados a segundo plano pela sociedade e pelos governos, que necessitam diariamente de medidas preventivas e protetivas, socioeconômicas e sanitárias, especialmente nesse contexto de pandemia.

Diante dos argumentos supracitados, algo precisa ser feito com urgência para amenizar a questão. Sendo assim, é necessário que o Ministério da Saúde crie,  por meio de verbas da União, campanhas de assistência social por meios de tecnologias de informação, além de um acompanhamento médico aos idosos que sofrem de doenças psicológicas. Sobretudo, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos em parceria com os meios midiáticos em criar campanhas informacionais a respeito dos canais de denúncia  contra idosos violência. Feito isso, a população idosa brasileira poderá retomar a sua autonomia e reconhecimento de seus  direitos.