Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 08/08/2020

O Estatuto do idoso, garante segurança, bem-estar e cumprimento dos seus direitos. No entanto, tal prerrogativa não tem se cumprido, e a saúde mental dessa população sofre prejuízos diante do cenário de pandemia. Sob essa ótica, evidencia-se o aumento do desprezo e violência doméstica, bem como, a mudança comportamental dos idosos perante a insolação, sendo esses fatores contribuintes para o desequilíbrio social.

Em primeira instância, é primordial ressaltar a falta de atenção e maus tratos que a terceira idade têm recebido no momento de isolamento em frente ao Covid-19. Consoante Karl Marx, o homem é coisificado na sociedade contemporânea. Ao seguir essa linha de pensamento, torna-se notória a forma desumana com que muitos idosos são tratados. Prova disso são as atitudes que incluem falta de diálogo, impaciência, agressão física e verbal nas quais revelam a falta de empatia e alteridade com as pessoas que precisam de apoio e possuem inúmeros ensinamentos e experiências que podem ser compartilhados.

Ademais, convém relacionar ainda que a falta de ocupação, somado ao sentimento de solidão altera o comportamento dos idosos. Segundo Cecília Meireles, em seu poema Retrato, a sensação do envelhecimento traz insegurança. Nesse viés, percebe-se que a mudança comportamental é advinda da preocupação e incerteza em como o idoso será tratado. Tendo em vista que no momento do isolamento social os cuidados devem ser dobrados, pois as poucas atividades propostas, o sedentarismo e a falta de acompanhamento podem causar doenças graves, como a depressão. Logo, é preciso uma interação e ocupação para os mais velhos se sentirem amados e seguros quanto à terceira idade.

Infere-se, portanto, que medidas precisam ser tomadas para melhorar a saúde psíquica dos idosos no período de quarentena. Em vista disso, cabe ao Governo, em consonância com o Poder Judiciário, alertar a população por meio de anúncios e publicações nos meios de comunicação, sobre as formas de denúncia em casos de violência contra os idosos, além de ressaltar a importância das pessoas mais próximas estarem atentas nas possíveis alterações comportamentais da vítima quando o agressor se aproxima, sendo esse punido diante de suas práticas ilegais. Por fim, o Ministério da Saúde deve divulgar formas e atividades que viam uma melhora na mente e no físico da população que muito já fez por todos e necessitam de apoio diante do cenário caótico. Assim, o Estatuto será cumprido e haverá equilíbrio social.