Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 08/08/2020
O ator Flávio Migliaccio, famoso por interpretar “Seu Chalita” na telenovela “Tapas e Beijos”, cometeu suicídio nos primeiros meses da quarentena, deixando uma carta onde alegava as dificuldades de ser idoso no Brasil contemporâneo. Nos últimos tempos, a quarentena vêm afetando diretamente a saúde emocional da população idosa no Brasil, contribuindo com o afastamento familiar e os problemas psicológicos desse grupo, considerado de risco diante da pandemia da Covid-19. Dessa forma, urge que medidas sejam tomadas para minimizar a questão dos impactos causados pela quarentena na saúde mental dos idosos, que é motivado pela falta de interação social e o bombardeio de informações negativas nos meios de comunicação.
Em primeira análise, é válido ressalta a falta de contato com familiares e amigos como impulsionador do problema. Por estarem dentro do grupo de risco, os idosos necessitam de ficar isolados de qualquer um que possa levar o vírus, não podendo receber visitas daqueles que costumavam conviver, contribuindo para o sentimento de abandono, o que pode ter como consequência uma futura depressão. Assim, ainda que o Estatuto do Idoso assegure o direito ao lazer e à saúde, vale relembrar o quão dependentes os idosos são e como uma grande parcela sofre de problemas de memória, esquecendo de coisas simples como tomar os remédios de uso contínuo ou desligar o fogão. Tais fatos mencionados anteriormente podem causar danos irreversíveis à saúde dos mais velhos.
Ademais, vale ressaltar a constante busca por informações sobre a situação atual como uma das raízes da problemática. Sob essa perspectiva, a máxima de Zygmunt Bauman “não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação sobre ela” cabe perfeitamente. O bombardeio de notícias sobre a Covid-19, como o número diário de mortos pela doença no Brasil, contribui para o aumento da ansiedade dos idosos, que sofrem com o medo do futuro e a falta de esperança.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Faz-se mister, pois, que a família, nesses momentos, faça visitas aos mais velhos, se certificando de tomar as devidas recomendações de segurança propostas pela Organização Mundial da Saúde, promovendo momentos de distração e garantindo companhia aos idosos. Além disso, a mídia, em parceria com o Ministério da Saúde, deve criar programas destinados à população mais antiga, contando com a participação de psicólogos que auxiliem os seniores a lidar com a crítica situação sofrida no momento. Espera-se, dessa maneira, que ocorra a limitação desse adverso imbróglio social e que casos como o de Flávio Migliaccio não se repitam.