Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena
Enviada em 08/08/2020
Assim como a Peste Negra afligiu a Europa na Idade Média e a Gripe Espanhola marcou o período pós Primeira Guerra, agora, o Coronavírus deixou profundas marcas no século XXI. Sendo assim, a principal vítima da pandemia é a população idosa, uma vez que, além de ser mais vulnerável aos danos deixados pelo vírus, ainda sofre com os problemas psicológicos frutos do isolamento social e potencializados pela carga excessiva de informações disponibilizadas pela mídia.
Nesse nicho,o filme “Cast Away” mostra, sobretudo, os conflitos mentais vividos por um homem que, depois de um acidente, se encontra perdido em uma ilha deserta. Em analogia ao excerto, do mesmo modo que o protagonista precisa lidar, constantemente, com a solidão e lutar contra o desespero, também os indivíduos, no atual cenário de distanciamento coletivo, dividem o mesmo drama. Visto isso, o grupo que mais intensamente vive essa problemática é a comunidade idosa, tendo em mente que, por sofrer maiores consequências da doença, o idoso segue com alto rigor o isolamento, o que, portanto, aumenta os sentimentos de solidão e inutilidade que, segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, já são bastantes frequentes nos cidadãos com mais de 60 anos.
Outrossim, com a criação da internet no contexto das Guerras Mundiais e com a grande proporção que tomou devido ao caráter de intercomunicação mundial da Globalização, a tecnologia precede grande parte das relações humanas. De maneira análoga, a rede tecnológica também se faz muito presente no cenário epidêmico atual e, apesar de ter grande importância, pode ser fonte da maximização do sofrimento mental da população idosa. Isso assim se sucede, haja vista que, por passar mais tempo no lar doméstico durante a quarentena, esse grupo se expõe aos diversos meios de informação, os quais, por sua vez, propagam a todo momento os números de óbitos causados pelo Coronavírus, as porcentagens de debilitados e os índices de contágios. Logo, é inevitável que o idoso tenha ansiedade acerca do futuro incerto e da aproximação com o fim da vida e esse sentimentos depressivos têm crescido entre 4% e 6% segundo a Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
Por conseguinte,é imprescindível ressaltar que os Governos mundiais, junto a OMS, devem proporcionar um sistema especial de amparo ao idoso durante o quadro de pandemia, por meio de parcerias púbico-privadas com hospitais que forneçam atendimento psiquiátrico junto com o tratamento do COVID-19. Ainda assim, por via de campanhas e propagandas que alertem sobre o perigo de doenças derivadas da ansiedade na população idosa e que incentivem os familiares do idoso à levá-lo ao psicólogo em caso de suspeitas, a fim de que o grande mal da depressão e do transtorno de ansiedade possa ser minimizado e a comunidade idosa se sinta amparada.
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