Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 10/08/2020

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), atualmente mais de 300 milhões de pessoas sofrem de depressão em todo o mundo. Em tempos de pandemia, e consequentemente de isolamento social, inúmeros indivíduos, sobretudo os idosos, tendem a desenvolver problemas graves  relacionadas à saúde mental. Nesse sentido, faz-se necessário analisar como a reclusão e em alguns casos até a falta de empatia, pode auxiliar no agravamento ou desenvolvimento dessas doenças.

Primeiramente, cumpre-se destacar que, de acordo com os ensinamentos de Aristóteles, o homem é um animal político, isto é, precisa viver em sociedade para se sentir completo. Nesse sentido, a depressão, ou até mesmo a solidão ocasionada pelo confinamento, acaba inviabilizando esse contato social, tão importante para a saúde mental das pessoas. Esse fato é ainda mais visto em relação aos idosos, que simplesmente não podem sair de suas casas na quarentena por conta do Covid-19, o que acaba agravando o quadro de  eventuais doenças mentais. A fim de se fazer mais próximo, e conseguir manter suas relações interpessoais, familiares e amigos devem abusar de ferramentes tecnológicas como computadores e celulares com o objetivo de manter viva essa interação com os idosos, mesmo que de longe.

Além disso, percebe-se que existe um falta de empatia com os idosos, ainda mais em tempos de pandemia. Hoje, é possível perceber que muitos (indivíduos, veículos de comunicação, etc) os colocam em um patamar de inferioridade, muitas vezes até julgando o valor da vida dessas pessoas. Exemplo disso é que em países como Itália e até mesmo no Brasil, uma série de debates sobre qual vida vale mais foi posto à tona, deixando a entender que jovens são mais importantes, pois, em tese, viverão mais, e que isso seria levado em consideração em uma eventual escolha por quem poderia ou não usar um leito de UTI - o que vai de encontro com a constituição Federal, que é explícita no sentido de que nenhuma vida vale mais do que a outra. Essas atitudes  acabam acarretando uma série de problemas como falta de autoestima e sentimento de inutilidade social.

Diante o exposto, nota-se que é preciso que o Ministério da Saúde implemente políticas que incentivem tanto os familiares quanto os idosos a manterem acessas suas relações interpessoais, mas agora utilizando as ferramentas online. Nesse sentido, um projeto de lei entregue à câmara que proponha o acesso à internet para idosos e familiares carentes e também campanhas de incentivo que estimulem a empatia com essa camada da sociedade são formas de amenizar os impactos observados até aqui nessa pandemia. Somente após medidas como essas será possível frear os impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos neste momento tão adverso.