Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 08/08/2020

É de conhecimento público que pandemias têm o poder de impactar a economia, as relações humanas e o sistema de saúde. Foi assim na peste bubônica, no século XIV, na gripe espanhola, no XX e tem sido da mesma forma atualmente, na pandemia de Covid-19. Nesse contexto, devido ao fato de ser uma doença nova, a melhor maneira de conter seu avanço é por meio do isolamento social. No entanto, tal medida gera impactos nocivos à saúde mental dos idosos, sendo necessária a atuação responsável, empática e consciente da família e da mídia na questão.

A princípio, é importante destacar que a solidão causada pelo distanciamento social pode desencadear problemas psicológicos na terceira idade. A esse respeito, cabe incluir o pensamento de Aristóteles, o qual aponta o homem como “animal político”, feito para viver em comunidade e interagir socialmente. Nesse sentido, quando há supressão do contato físico, como é o caso dos idosos que, por serem o principal grupo de risco, precisam ficar isolados, o estresse e a solidão desse momento prejudicam a saúde mental deles. Em decorrência disso, é imprescindível que os familiares estejam atentos a qualquer mudança comportamental e identifiquem possíveis crises de ansiedade ou sintomas de depressão, de forma a minimizar o sofrimento psíquico dessa população.

Somado a isso, convém salientar que a cobertura da mídia também afeta o bem-estar psicológico dos idosos. Sob essa ótica, por conta de estarem a maior parte do tempo em casa, muitas pessoas têm na televisão a maior companhia. Por conseguinte, se a mídia foca apenas em frisar que a terceira idade é grupo de risco e detentora das maiores vulnerabilidades frente à doença, isso gera medo e angústia crescentes nessa população, sobrecarregando-os emocionalmente. Com efeito, o filósofo Espinoza, na teoria dos afetos, reitera esse aspecto ao expressar a influência que o entorno tem sobre os indivíduos. Logo, é necessário que a saúde mental dos idosos seja uma preocupação dos veículos midiáticos para que, seguindo as premissas de Espinoza, afetem com responsabilidade essas pessoas.

Fica claro, portanto, que a quarentena prejudica a integridade psicológica da terceira idade. Por conta disso, o Ministério da Saúde deve agir, junto com empresas de telecomunicação, na criação de conteúdos durante a pandemia. Isso pode ser feito por meio de programas pensados exclusivamente aos mais velhos, contendo jogos e atividades físicas conduzidas por profissionais da área, com vistas a entreter esse público e amenizar a sobrecarga emocional sobre ele. Ademais, a família deve ensinar os idosos a interagir com a tecnologia para que estejam presentes mesmo que virtualmente, a fim de mitigar problemas psicológicos causados pela solidão. Assim, todos enfrentarão esse momento difícil, mas que também ficará no passado, como as outras epidemias enfrentadas pela humanidade.