Impactos do isolamento social na saúde mental dos idosos durante a quarentena

Enviada em 08/08/2020

O livro “a cinza das horas”, de caráter sombrio, escrito por Manuel Bandeira, traduz o sentimento do escritor ao ficar isolado durante anos devido ao seu diagnóstico de tuberculose. Analogamente, idosos, grupo mais vulnerável da Covid-19, são obrigados a se isolarem, o que motiva o aparecimento e o desenvolvimento de doenças mentais. Tal problemática deve-se à falta de atividades recreativas destinadas a este público e o ao preconceito atribuido ao tratamento psiquiátrico.

Primeiramente, é necessário salientar a importância de atividades de distração para idosos como fator essencial de prevenção a doenças mentais. No livro americano “para todos os garotos que já amei”, Lara Jean, voluntária adolescente em um asilo, promove um baile de gala com a intenção de proporcionar interação entre os moradores. Fora da ficção, ações como a de Lara Jean que poderiam ser realizadas a distância, pela internet por exemplo, são escassas no período de pandemia, o que facilita o aumento de doenças mentais em pessoas com idades elevadas. Logo, a necessidade de contato humano, mesmo por vias tecnológicas, é imprescíndivel para evitar o desequilíbrio da mente.

Ademais, o desprezo pela saúde mental atravessa gerações e marca a permanência da depressão e ansiedade no mundo atual. Na série mexicana “Control Z”, Sofia, adolescente diagnosticada com depressão, sofre constrangimentos diários em sua escola por seus colegas, o que demonstra que o tratamento psiquiátrico é visto de maneira preconceituosa por grande parte da sociedade. Assim, a visão distorcida de que saúde mental é menos relevante que a física permite que jovens e idosos evitem o acompanhamento com psicólogos, dificultando ainda mais o tratamento de doenças mentais.

Portanto, medidas são necessárias para resolver este impasse. É necessário que o Ministério da família, mulher e direitos humanos em conjunto com o Ministério da Saúde promova atendimentos psiquiátricos mensais via internet para pessoas maiores de 60 anos enquanto durar o isolamento social por meio de iniciativa privada com empresas de tecnologias e convênios médicos para que idosos que apresentam quadro agravado de doença psiquiátrica sejam diagnosticados e acompanhados por psicólogos. Desta maneira, espera-se que a população idosa brasileira não sofra com doenças como a ansiedade e a depressão.